AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013

AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013
TRAZIDA DA ILHA DA SEREIA - LINDALVA

domingo, 23 de novembro de 2014

AFAGO A SOLIDÃO


AFAGO A SOLIDÃO...

Afago a solidão no silêncio do meu quarto, vazio do teu corpo... vazio de orgasmos... vazio de amor... e nas ausências dos beijos molhados procuro a noite... que se esconde na penumbra das sombras fugidias... mas não há noites tão longas que não encontrem os dias... e os dias são difíceis... e as noites são longas... e as nuvens pesam e a chuva cai... a chuva cai nos meus olhos gota a gota... e lágrimas desaguam no mar salgado das minhas desilusões  até encontrarem as ondas douradas que transbordam de todo o luar...

Afago a solidão como quem morde o silêncio duma alma nua... como quem dança um triste tango de Gardel... ou uma contradança antiga numa noite sem luar... como quem se perde num labirinto sombrio e onde ninguém o pode achar... e ao longe apenas o som dum bater de asas duma borboleta quase moribunda que procura um lugar para descansar...

Afago a solidão quando a dor dum sonho desfeito veste meu corpo de angústias... quando a nostalgia se transforma em mortalha talhada na pedra dura do fracasso... quando o desprezo se mistura em ausência de desejos... quando me escondo na secura amarga duns falsos beijos... nas carícias não sentidas... e nas lágrimas jorradas dum rosto enrugado pelo relógio do tempo que continua marcando o seu fatídico compasso nos ecos duma saudade...

Afago a solidão quando fecho os olhos e sinto o mar acariciando meu corpo sedento do teu... quando as ondas batem suavemente na areia e desnudam minha alma carente dum pouco mais de calor...

Afago a solidão quando os raios da lua cheia salpicam meu rosto de purpurina doce... quando lembro teu nome e o desenho na areia que o mar sempre apaga e me deixa apenas com as lembranças... e com as mágoas que se enraizaram no imo das palavras por dizer...

Afago a solidão quando as tristezas são o refúgio das ilusões perdidas... quando as lágrimas são uma certeza de saudades perfumadas de desejos contidos numa noite sem estrelas... e onde a lua perdeu o luar...

E no silêncio vazio do meu quarto vazio, adormeço nos braços envolventes da saudade... beijo teu corpo nu nas sombras nuas das paredes nuas do meu quarto nu e frio... e sonho com o momento em que, num êxtase de paixão, acaricio esse corpo sem rosto... sorvo esses beijos sem boca... mergulho-me nesse olhar azul do céu dos meus desejos... acaricio tua pele imaginária e escaldante que queima os meus sentidos... embebedo-me com o vinho doce que verte das tuas lágrimas amargas... vibro com as tuas mãos acariciando os recônditos das minhas ilusões... e por fim me afogo no desvario dos nossos corpos molhados de suor e com a ternura dum quente beijo me deixo envolver nos teus abraços imaginários... e adormeço afagando a solidão...

By@
Anna D’Castro


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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

PRISIONEIRA DOS MEDOS


PRISIONEIRA DOS MEDOS

Não me permito chorar por medo da solidão, por isso me divido em pedaços...

Não tenho medo do escuro porque as paredes do meu quarto são de vidro e transparecem todas as luzes do mundo...

Já enfrentei os algozes que carregavam tempestades que desaguaram na minha alma, abafando os silêncios de todos os gritos... e eu escrava de medos atrozes, sepultei frustrações nos ventos poentes e vou carregando as saudades dentro do peito do lado do coração... atravessando mares, montanhas e desertos sem medo da sorte ou de encarar a morte...

Mas às vezes tenho medo de olhar o infinito e esquecer que na vida não há meias verdades ou verdades absolutas... que nada é absolutamente certo ou errado dependendo das situações...

Às vezes me perco na imensidão duma praia deserta e sinto um medo estranho de contemplar os vastos céus, pois meus olhos ficam inundados de lágrimas salgadas, parecendo dois brilhantes tremeluzentes iluminados pelo luar... e o mar os tenta levar para tão longe de mim... para junto do nada...

Às vezes tenho medo de que em alguma noite sem lua, não existam mais estrelas no céu... de que as estrelas cadentes não atendam os meus pedidos... de que a lua caia sobre os meus sonhos e os desmanche como o mar desmancha os belos castelos de areia que tanto esforço me dão para conseguir erguê-los...

Às vezes tenho medo que no meu jardim dos sonhos possíveis, as flores não possam florescer e murchem sem que algum dia possam sentir um beijo de amor... temo que nos meus próximos versos não restem rimas nem papéis para escrevê-los...

Há noites de breu... sem lua... num céu sem estrelas... onde vou esculpindo os medos do silêncio da noite... e onde surgem as tempestades que me apavoram... e trazem consigo os fantasmas dum passado magoado... que vão flutuando na minha mente... arrastando as pesadas correntes dos meus lamentos... ao longo dos corredores da minha vida... tentando algemar as sensações mais escondidas... deixando-me numa prisão de palavras... prisioneira dos medos que eu quero esquecer...

Mas quando solto meus medos... acaricio os espinhos das minhas saudades... afago com ternura as doces lembranças duma doce ilusão... afugento os pesadelos nefastos que querem sepultar meus sonhos num vazio profundo... e jogo meus cabelos ao vento para que eles afastem as tempestades que tanto me apavoram... e quando por fim me trazem o calor do sol brilhante e a beleza do arco íris cativante... então se abre uma estrada florida por entre brancas nuvens de esperança... que vão afastando as grades do espanto e me libertam da clausura das teias do tempo... serenamente... placidamente... na busca duma eternidade sem destino marcado...


By@

Anna D’Castro



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Almada e Lisboa... as duas belas cidades beijadas pelo Tejo

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José Saramago - O Nóbel da Literatura Portuguesa

"PALAVRAS PEQUENAS... PALAVRAS APENAS..."

Ando por aí querendo te encontrar... Em cada esquina paro em cada olhar... Deixo a tristeza... Trago a esperança em seu lugar... Que o nosso amor para sempre VIVA... Minha dádiva quero poder jurar... Que essa paixão jamais será... Palavras Apenas... Palavras Pequenas... Palavras de Momento... Palavras ao Vento!... "Cassia Eller"

AGRADEÇO A SUA VISITA À *SEMENTEIRA DE PALAVRAS*...


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...VOLTE SEMPRE... DE CORAÇÃO!