AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013

AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013
TRAZIDA DA ILHA DA SEREIA - LINDALVA

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

HISTÓRIA DUMA MULHER...


HISTÓRIA DUMA MULHER... 

Há por esse mundo uma mulher que sofre e luta contra a angústia dum passado magoado por indiferenças... desilusões e saudades... revoltada contra um mundo de traições e tempestades... que teve a sua vida roubada por alguém que a abandonou ao desatino da sorte e por egoísmos cruéis e desleais... em seu peito cravou trágicos punhais de indiferença e desdém.

Quantas mulheres por esse mundo sofrem no silêncio do seu quarto pela falta dum carinho... dum abraço... dum toque duma mão em seu ombro... duma palavra que ficou por dizer... dum beijo dado com amor... duma ternura fraterna, esquecida num labirinto de emoções... com tantos sonhos e recordações que se vão esfumando na penumbra do tempo?

Quantas mulheres se entregaram para alguém que as desiludiu... que as maltratou com palavras e gestos... com ausências e esperas... com vazios sem espaços... com silêncios e demoras... caminhando sozinhas por vielas escuras e estreitas... com alguém do seu lado... mas sempre ausente... tão perto do nada e tão longe de si?

Como todas essas mulheres que existem algures por aí clamando por carinho...  justiça e palavras de ternura, jamais ouvidas... querendo um pouco mais de calor e da atenção do seu amor...
Existe uma mulher sozinha que desceu à vida na madrugada... que a Triste Mágoa chamou de filha... e que num dia coberto de fria geada... foi abandonada numa estrada sem trilha...
 
Existe essa mulher que se rebela contra um caminho incerto... em busca de algo que lhe roubaram da vida... e sempre caminhando vai perambulando por estradas sem fim... rasgando o seu corpo nas pedras da calçada... dilacerando os seus sonhos nas arestas pontiagudas das paredes nuas do seu pensamento...

Existe essa mulher que, no acaso do tempo, teve quase tudo o que desejou... filhos... carinhos... amor... que, por um mau acaso dos homens... ficou sem os seus bens mais preciosos... por imposições e vinganças... ficou do outro lado da vida... ao sabor do tempo e dos julgadores mais impiedosos... sem poder fazer as suas escolhas... de mãos atadas... engolindo silêncios... sendo julgada... maltratada... ignorada...

No meio dessas tantas mulheres... existe essa mulher que solta seus gritos... abafa seus medos... engole seus silêncios... e chora lágrimas de saudade pelas recordações dos seus queridos estampados nos retratos inertes... e que lhe foram roubados... com a sua vida roubada...

Por entre tantas mulheres... existe uma mulher que implora pelos restos das migalhas do pão que o diabo amassou... que se veste de esperança... tentando ser várias... em várias de si... porque só a vida que lhe sobrou  não lhe basta... porque a chama de Deus crepita dentro de si... porque ainda acredita que a sua desdita chegará ao fim... e a Fé em Deus e não nos homens... lhe dará novos passos... lhe trará novas esperanças... novos anseios... e matará as saudades dos saudosos abraços... dos carinhos dos seus amados... das recordações guardadas dentro de caixas amassadas pelo esquecimento do tempo e que dilaceram o seu coração.

Será que alguém conhece por entre essas mulheres... a mulher que chora e se agita... que se revolta... que grita... no seu silêncio magoado... que canta o seu fado triste e angustiado... implorando pela justiça de Deus... já que a dos homens tudo lhe tirou... e em troca pouco ou nada lhe doou?
– Essa mulher que engole silêncios e tempestades... desilusões e saudades... querendo resgatar o que é seu... pois bem, essa mulher sou eu!


By@
Anna D’Castro




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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

AUSÊNCIAS...


AUSÊNCIAS


A vida me abandonou em uma encruzilhada de estradas sem trilhos... com veredas estreitas e ausência de brilhos...
As recordações se acorrentam a um vendaval de desilusões... e o pânico das tempestades me paralisam os sentidos.
Sou feita de silêncios... gritos...  e esperas... fui moldada no barro lodoso do pântano das quimeras... sou filha do desamor e da incerteza... irmã do desalento com as entranhas secas por uma angústia de saudades e desditas, que ardem em meu peito, embriagam o meu destino e envenenam a minha alma.

Ausências são cinzas dum vulcão adormecido... são reminiscências dum tempo perdido... são gritos silenciosos sem estertor... rastros de passos sombrios... pesadelos de noites de terror... apelos perdidos no esquecimento das pedras do caminho... um olhar que se perde na imensidão do nada... cinzas enegrecidas... desfeitas na bruma se espalhando com o sopro do vento norte... por uma longa e solitária estrada... que me limita o pensamento me querendo transformar em quase nada...

Quando minhas mãos tateiam o vazio... só encontram o lamento cansado das demoras.
Meus braços... já tão cansados da espera por abraços... se abandonam aos murmúrios de longínquas lembranças... 
Por entre o suor do meu corpo escorrem as mágoas das partidas sem chegadas... das noites brancas e frias... das insones madrugadas... pesadas e vazias...

Ausências são desencontros dos sonhos... ternuras negadas... palavras duras e secas como vergastas que açoitam meu coração e fustigam meu corpo cansado nas geladas madrugadas... sem claridade... sem vida... sem um pouco de calor... a voz se estrangula na garganta carente de singelas palavras de amor...e a angústia me acalenta no seu longo manto de solidão...

As minhas ausências estão guardadas nos sentimentos aprisionados em lamentos vãos e irônicos que se prenderam nas palavras que não ousei dizer... nos espinhos que rasgaram a liberdade de pensar e sentir... e eu sempre carregando um solitário botão de rosa na primavera que precisava de chuva para poder-se abrir...

E o tempo sempre correndo... e a vida se esquecendo de mim... e as minhas mãos tão cansadas se unem numa prece... para libertar o odor das saudades dos ventos poentes... quero sacudir as ausências... exalar os aromas de poesia... e trocar fechaduras do meu coração trancado em baús de fantasia... preciso reviver para me encontrar nas ausências que tiraram da vida... o meu lugar!


By@ 
Anna D’Castro


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Almada e Lisboa... as duas belas cidades beijadas pelo Tejo

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José Saramago - O Nóbel da Literatura Portuguesa

"PALAVRAS PEQUENAS... PALAVRAS APENAS..."

Ando por aí querendo te encontrar... Em cada esquina paro em cada olhar... Deixo a tristeza... Trago a esperança em seu lugar... Que o nosso amor para sempre VIVA... Minha dádiva quero poder jurar... Que essa paixão jamais será... Palavras Apenas... Palavras Pequenas... Palavras de Momento... Palavras ao Vento!... "Cassia Eller"

AGRADEÇO A SUA VISITA À *SEMENTEIRA DE PALAVRAS*...


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...VOLTE SEMPRE... DE CORAÇÃO!