AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013

AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013
TRAZIDA DA ILHA DA SEREIA - LINDALVA

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

HISTÓRIA DUMA MULHER...


HISTÓRIA DUMA MULHER... 

Há por esse mundo uma mulher que sofre e luta contra a angústia dum passado magoado por indiferenças... desilusões e saudades... revoltada contra um mundo de traições e tempestades... que teve a sua vida roubada por alguém que a abandonou ao desatino da sorte e por egoísmos cruéis e desleais... em seu peito cravou trágicos punhais de indiferença e desdém.

Quantas mulheres por esse mundo sofrem no silêncio do seu quarto pela falta dum carinho... dum abraço... dum toque duma mão em seu ombro... duma palavra que ficou por dizer... dum beijo dado com amor... duma ternura fraterna, esquecida num labirinto de emoções... com tantos sonhos e recordações que se vão esfumando na penumbra do tempo?

Quantas mulheres se entregaram para alguém que as desiludiu... que as maltratou com palavras e gestos... com ausências e esperas... com vazios sem espaços... com silêncios e demoras... caminhando sozinhas por vielas escuras e estreitas... com alguém do seu lado... mas sempre ausente... tão perto do nada e tão longe de si?

Como todas essas mulheres que existem algures por aí clamando por carinho...  justiça e palavras de ternura, jamais ouvidas... querendo um pouco mais de calor e da atenção do seu amor...
Existe uma mulher sozinha que desceu à vida na madrugada... que a Triste Mágoa chamou de filha... e que num dia coberto de fria geada... foi abandonada numa estrada sem trilha...
 
Existe essa mulher que se rebela contra um caminho incerto... em busca de algo que lhe roubaram da vida... e sempre caminhando vai perambulando por estradas sem fim... rasgando o seu corpo nas pedras da calçada... dilacerando os seus sonhos nas arestas pontiagudas das paredes nuas do seu pensamento...

Existe essa mulher que, no acaso do tempo, teve quase tudo o que desejou... filhos... carinhos... amor... que, por um mau acaso dos homens... ficou sem os seus bens mais preciosos... por imposições e vinganças... ficou do outro lado da vida... ao sabor do tempo e dos julgadores mais impiedosos... sem poder fazer as suas escolhas... de mãos atadas... engolindo silêncios... sendo julgada... maltratada... ignorada...

No meio dessas tantas mulheres... existe essa mulher que solta seus gritos... abafa seus medos... engole seus silêncios... e chora lágrimas de saudade pelas recordações dos seus queridos estampados nos retratos inertes... e que lhe foram roubados... com a sua vida roubada...

Por entre tantas mulheres... existe uma mulher que implora pelos restos das migalhas do pão que o diabo amassou... que se veste de esperança... tentando ser várias... em várias de si... porque só a vida que lhe sobrou  não lhe basta... porque a chama de Deus crepita dentro de si... porque ainda acredita que a sua desdita chegará ao fim... e a Fé em Deus e não nos homens... lhe dará novos passos... lhe trará novas esperanças... novos anseios... e matará as saudades dos saudosos abraços... dos carinhos dos seus amados... das recordações guardadas dentro de caixas amassadas pelo esquecimento do tempo e que dilaceram o seu coração.

Será que alguém conhece por entre essas mulheres... a mulher que chora e se agita... que se revolta... que grita... no seu silêncio magoado... que canta o seu fado triste e angustiado... implorando pela justiça de Deus... já que a dos homens tudo lhe tirou... e em troca pouco ou nada lhe doou?
– Essa mulher que engole silêncios e tempestades... desilusões e saudades... querendo resgatar o que é seu... pois bem, essa mulher sou eu!


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Anna D’Castro



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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

AUSÊNCIAS...


AUSÊNCIAS


A vida me abandonou em uma encruzilhada de estradas sem trilhos... com veredas estreitas e ausência de brilhos...
As recordações se acorrentam a um vendaval de desilusões... e o pânico das tempestades me paralisam os sentidos.
Sou feita de silêncios... gritos...  e esperas... fui moldada no barro lodoso do pântano das quimeras... sou filha do desamor e da incerteza... irmã do desalento com as entranhas secas por uma angústia de saudades e desditas, que ardem em meu peito, embriagam o meu destino e envenenam a minha alma.

Ausências são cinzas dum vulcão adormecido... são reminiscências dum tempo perdido... são gritos silenciosos sem estertor... rastros de passos sombrios... pesadelos de noites de terror... apelos perdidos no esquecimento das pedras do caminho... um olhar que se perde na imensidão do nada... cinzas enegrecidas... desfeitas na bruma se espalhando com o sopro do vento norte... por uma longa e solitária estrada... que me limita o pensamento me querendo transformar em quase nada...

Quando minhas mãos tateiam o vazio... só encontram o lamento cansado das demoras.
Meus braços... já tão cansados da espera por abraços... se abandonam aos murmúrios de longínquas lembranças... 
Por entre o suor do meu corpo escorrem as mágoas das partidas sem chegadas... das noites brancas e frias... das insones madrugadas... pesadas e vazias...

Ausências são desencontros dos sonhos... ternuras negadas... palavras duras e secas como vergastas que açoitam meu coração e fustigam meu corpo cansado nas geladas madrugadas... sem claridade... sem vida... sem um pouco de calor... a voz se estrangula na garganta carente de singelas palavras de amor...e a angústia me acalenta no seu longo manto de solidão...

As minhas ausências estão guardadas nos sentimentos aprisionados em lamentos vãos e irônicos que se prenderam nas palavras que não ousei dizer... nos espinhos que rasgaram a liberdade de pensar e sentir... e eu sempre carregando um solitário botão de rosa na primavera que precisava de chuva para poder-se abrir...

E o tempo sempre correndo... e a vida se esquecendo de mim... e as minhas mãos tão cansadas se unem numa prece... para libertar o odor das saudades dos ventos poentes... quero sacudir as ausências... exalar os aromas de poesia... e trocar fechaduras do meu coração trancado em baús de fantasia... preciso reviver para me encontrar nas ausências que tiraram da vida... o meu lugar!


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Anna D’Castro


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domingo, 23 de novembro de 2014

AFAGO A SOLIDÃO



AFAGO A SOLIDÃO...

Afago a solidão no silêncio do meu quarto, vazio de amor... vazio do teu corpo... vazio de orgasmos... e nas ausências dos beijos molhados procuro a noite... no infinito que se esconde na penumbra das sombras fugidias... mas não há noites tão longas que não encontrem os dias... e os dias são difíceis... e as noites são longas... e as nuvens pesam e a chuva cai... a chuva cai nos meus olhos gota a gota... e lágrimas desaguam no mar salgado das minhas ilusões  até encontrarem as ondas douradas que transbordam de todo o luar...

Afago a solidão como quem lambe o silêncio duma alma nua... como quem dança uma valsa triste numa noite sem luar... como um bater de asas duma borboleta quase moribunda que procura um lugar para descansar...

Afago a solidão quando a dor dum sonho desfeito veste meu corpo de angústias... quando a nostalgia se transforma em mortalha talhada no mármore da ausência dos desejos... na secura amarga duns falsos beijos... de carícias não sentidas... de lágrimas jorradas dum rosto enrugado pelo relógio do tempo que continua marcando o seu fatídico compasso nos ecos duma saudade...

Afago a solidão quando fecho os olhos e sinto o mar acariciando meu corpo sedento do teu... quando as ondas batem suavemente na areia e desnudam minha alma carente dum pouco mais de calor...

Afago a solidão quando os raios da lua cheia salpicam meu rosto de purpurina doce... quando lembro teu nome desenhado na areia que o mar sempre apaga e me deixa apenas com as lembranças... e com as mágoas que se enraizaram no imo das palavras por dizer...

Afago a solidão quando as tristezas são o refúgio das ilusões perdidas... quando as lágrimas salgadas são uma certeza de saudades perfumadas de desejos contidos numa noite sem estrelas... e onde a lua perdeu o luar...

E no silêncio vazio do meu quarto vazio, adormeço nos braços envolventes da saudade... beijo teu corpo nu nas sombras nuas das paredes nuas... e sonho com o momento em que num êxtase de paixão acaricio esse corpo sem rosto... sorvo esses beijos sem boca... mergulho nesse olhar azul do céu dos meus desejos... acaricio tua pele imaginária e escaldante que queima os meus sentidos... embebedo-me com o vinho doce que verte das tuas lágrimas amargas... vibro com as tuas mãos acariciando os recônditos das minhas ilusões e por fim me afogo no desvario dos nossos corpos molhados de suor e com a ternura dum quente beijo me deixo envolver nos teus abraços imaginários e afago a solidão...


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Anna D’Castro


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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

PRISIONEIRA DOS MEDOS


PRISIONEIRA DOS MEDOS

Não me permito chorar por medo da solidão, por isso me divido em pedaços...

Não tenho medo do escuro porque as paredes do meu quarto são de vidro e transparecem todas as luzes do mundo...

Já enfrentei os algozes que carregavam tempestades que desaguaram na minha alma, abafando os silêncios de todos os gritos... e eu escrava de medos atrozes, sepultei frustrações nos ventos poentes e vou carregando as saudades dentro do peito do lado do coração... atravessando mares, montanhas e desertos sem medo da sorte ou de encarar a morte...

Mas às vezes tenho medo de olhar o infinito e esquecer que na vida não há meias verdades ou verdades absolutas... que nada é absolutamente certo ou errado dependendo das situações...

Às vezes me perco na imensidão duma praia deserta e sinto um medo estranho de contemplar os vastos céus, pois meus olhos ficam inundados de lágrimas salgadas, parecendo dois brilhantes tremeluzentes iluminados pelo luar... e o mar os tenta levar para tão longe de mim... para junto do nada...

Às vezes tenho medo de que em alguma noite sem lua, não existam mais estrelas no céu... de que as estrelas cadentes não atendam os meus pedidos... de que a lua caia sobre os meus sonhos e os desmanche como o mar desmancha os belos castelos de areia que tanto esforço me dão para conseguir erguê-los...

Às vezes tenho medo que no meu jardim dos sonhos possíveis, as flores não possam florescer e murchem sem que algum dia possam sentir um beijo de amor... temo que nos meus próximos versos não restem rimas nem papéis para escrevê-los...

Há noites de breu... sem lua... num céu sem estrelas... onde vou esculpindo os medos do silêncio da noite... e onde surgem as tempestades que me apavoram... e trazem consigo os fantasmas dum passado magoado... que vão flutuando na minha mente... arrastando as pesadas correntes dos meus lamentos... ao longo dos corredores da minha vida... tentando algemar as sensações mais escondidas... deixando-me numa prisão de palavras... prisioneira dos medos que eu quero esquecer...

Mas quando solto meus medos... acaricio os espinhos das minhas saudades... afago com ternura as doces lembranças duma doce ilusão... afugento os pesadelos nefastos que querem sepultar meus sonhos num vazio profundo... e jogo meus cabelos ao vento para que eles afastem as tempestades que tanto me apavoram... e quando por fim me trazem o calor do sol brilhante e a beleza do arco íris cativante... então se abre uma estrada florida por entre brancas nuvens de esperança... que vão afastando as grades do espanto e me libertam da clausura das teias do tempo... serenamente... placidamente... na busca duma eternidade sem destino marcado...


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Anna D’Castro



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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ESPELHO


ESPELHO


Olho-me no espelho no final do corredor, querendo saber quem sou... uma pergunta concreta para uma procura abstrata para me encontrar em uma certa noite sem estrelas e onde a lua perdeu o luar...

Dispo-me de preconceitos e vulgares ambições e me perco nas entrelinhas dos caminhos... solto um grito lancinante que se perde nas encruzilhadas para chegar ao infinito... sou uma voz que se cala sem respostas para todas as perguntas... uma boca que engole silêncios...

Sou um olhar num rosto vazio... uma madrugada fria esperando o sol... um barco naufragado num mar de ondas encrespadas... Sou a Dama da Noite... flor noturna que murcha no final das madrugadas.

Sou uma gazela esperando o caçador com o medo estampado no olhar, quando meu corpo cansado se arrasta em labirintos sombrios procurando a saída dos sonhos vazios numa noite sem luar...

Sou feita de esperas, mágoas e saudades... meu fado é triste e magoado... com um passado sem tréguas... perdido nas recordações da vida que ficou nas brumas do tempo descolorido... uma ausência de chegadas e partidas... um rosto marejado de lágrimas amargas.
                                             
O mundo não é perfeito... todo o mundo tem o seu fado triste e magoado... nem todos são perfeitos... cheirosos... bonitos... ricos e felizes, mas tem dias que sinto ao meu redor o aroma de rosas e avelãs... tem dias que sinto na boca o sabor do mel de doces manhãs... tem dias que me olho no espelho do final do corredor e me sinto a obra prima dum artista sonhador... com um final feliz dum belo romance de amor.



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Anna D’Castro 

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

SAUDADES



A saudade é uma aquarela
De cores irisantes...
Que pinta amarela
A cor da minha janela.

Saudade é uma ausência de silêncio... a lembrança do que ficou para trás.

A Saudade que dói e machuca... queima o pensamento e trás recordações de um passado magoado... Duma vida que se quer esquecer... de momentos que ficaram debaixo dos contornos das sombras do tempo e que ficou travado no peito... e das horas que teimam em passar...

A saudade que me habita se aninha em meu coração, a voz fica presa na garganta e há um desencanto que se quebra dentro de mim.

Passa o tempo... remenda-se o pensamento, mas a tristeza é uma imagem vazia refletida num espelho quebrado... que vai gritando ao vento, o eterno lamento das minhas eternas lembranças... as negras mágoas que pairam nas noites sofridas com sonhos e pesadelos e os fantasmas dum passado remoto que inundam as paredes de vidro do meu quarto... nuas... vazias... escuras e silenciosas... os olhos esvaziam-se de tudo... a ausência de sentimentos martiriza a solidão... 

Quantos lugares de sonho, hoje vazios... que ficaram para trás. Quantas pedras arremessadas que feriram e ferem minha alma... quantas lágrimas de sangue escritas no silêncio das noites insones... quanta saudade me anoitece e quanta revolta vai crescendo dentro de mim...

Ter de partir e deixar o que se ama por injustas acusações é um duro fardo que se carrega sem compreender o porquê da injustiça dos homens... o porquê das pedras do caminho... o porquê dos segredos guardados nas lágrimas amargas... o porquê dos medos nas noites de tempestade... o porquê do pânico dos raios que se rasgam no firmamento da minha angústia... quando minha voz se cala e meu corpo estremece agonizante...

Ah, como me dói o passado... a vida... a solidão dos dias sombrios... as mágoas que vão envelhecendo dentro de mim e escorrendo nas lágrimas que sangram e se transformam  em rugas sem futuro... sem viço e sem esperança... 

A saudade é uma luta incansável contra a partida... um barco á deriva num destino incerto... uma lacuna em céu aberto... uma doce lembrança da felicidade que um dia foi sonho que se idealizou... mas que algum dia sequer se concretizou.

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Anna D’Castro


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domingo, 28 de setembro de 2014

ESTA DOR

ESTA DOR...

Ah como dói esta dor calada! Como me dilacera os sentidos! Esta dor acompanha meu corpo e tira meu espaço... é feita de sofrimentos e cansaços... e tolhe meus sonhos e meus passos e me maltrata com rejeições e incompreensões... e vive aprisionada num castelo de torres e masmorras, sem ameias nem frestas, só grades... algemas... grilhões.

Esta dor é negra, vazia e profunda... mora num poço sem água... sem ar... sem fundo...

Há na minha dor uma terrível ausência de abraços... só passos vacilantes... armadilhas e cansaços...

A dor e o sofrimento habitam em conventos fechados... sem luz... sem calor... só claustros abissais e gelados...

Esta dor se confunde com o cântico negro de tempestades atrozes, acompanha o voo dilacerante de albatrozes quando tentam alcançar sua presa.

Esta dor é uma sombra envolta num lençol de amarguras... sombra da minha sombra, que me acompanha através das teias do tempo... uma mordaça que aprisiona qualquer sentimento.

Esta dor é um lamento irônico que se desprende do silêncio de todas as lágrimas que me inundam... um vasto caudal de lágrimas amargas, derramadas nas pedras do caminho, repleto de espinhos e negras mágoas...

Esta dor me deixa louca... me rasga inteira pela angústia das noites vazias... pela incerteza da escuridão dos dias... pela agonia dos sonhos desfeitos e a ingratidão dos desencantos...

Esta dor vai agonizando pelas madrugadas, com o bater das horas do tempo que passa... corroendo as entranhas da vida que se vai esgotando e arrancando vários pedaços que ainda restam de mim...    

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Anna D’Castro 




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sábado, 20 de setembro de 2014

HÁ PALAVRAS... e palavras...



Há palavras que habitam a nossa mente como um guia que consola e desafia o pensamento, tal como um fio de navalha que atravessa a nossa atenção... como uma chave mestra que abre e fecha o coração.

A palavra atirada ao acaso tem dois gumes como a faca que agride ou que lapida um valioso diamante.

É preciso cuidado quando uma palavra é dita, pois na nossa alma fica gravada e jamais poderá ser apagada.

Toda a palavra, quando apontada na direção errada, é uma arma disparada por uma língua afiada.

As palavras de traição se trancam num árido labirinto onde não querem ser encontradas. Mas as palavras quando lançadas com amor e ternura, são um afago carinhoso... um doce beijo de borboleta, que vai esquentando os corações mais gelados.

A palavra na poesia é a ponte que nos transporta através dum rio de imagens que se estendem dormentes procurando no fundo das sombras a direção do silêncio rubro, que engole o poema se a palavra está trancada no imo das recordações.

Entre a palavra perdida e a lembrança resgatada, há palavras com sabor a lágrimas salgadas, a suor de carne bruta... veredas estreitas e sangrentas que devoram as sombras estonteantes e vão deambulando pelas letras dum poema...

Com o nascer do poema, juntam-se as palavras, uma após outra, como se fossem gotículas de orvalho pingando nas folhas brancas do caderno de poesias... viajando no pensamento e trazendo pequenas fantasias... as palavras amamentam um poema como os oásis verdejantes alimentam os desertos de miragens dos poetas e vão devolvendo ao vento as lembranças sem tempo e sem destino...



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Anna D’Castro


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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

SEM PRESSA...

Caminho devagar porque a pressa me venceu... um dia já fui ansiosa esquecida da fadiga. A vida era uma corrida e a esperança de tudo perfeito era uma exigência que foi naufragando com o tempo da sabedoria.


Hoje exijo uma pressa moderada... dissolvo-me em outonos primaveris e invernos estiosos, bem mais calmos que os outrora escaldantes e que foram ressecando as pétalas das rosas, as raízes expostas ao frio do vento e deixaram suas marcas na pele fresca da juventude.


À minha volta o abandono da fadiga... a esperança naufragando com o desconsolo da solidão que me faz recordar das sementes guardadas e hoje transformadas em lágrimas amargas por momentos não vividos. Ao redor choram rosas famintas de carinhos... as horas vão morrendo nas trevas antes de chegar o alvorecer, mas nenhuma é igual às que viveram antes do envelhecer.


Sem pressa quero procurar meu corpo cansado e abandonado à sorte com a alma ferida que partiu para longe de mim. Vou tentando prender o tempo da espera que se vai escoando por entre os dedos encarquilhados pelo soprar tenebroso do vento agreste das recordações.


A vida é breve, mas a pressa é inimiga da perfeição... colorindo o anoitecer, a calma clama por um espaço nas noites consteladas, diante da espera da magia do sonho que vai prolongando a doce luz do renascer.


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Anna D’Castro



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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CAMINHOS





  CAMINHOS...



Caminhos são florestas de desejos incontidos...
Um avançar parado dentro duma redoma de luz e sombra ardentes.

Ainda não decorei os caminhos da vida, mas invento no próximo amanhecer os sons, os aromas e as imagens que irão sulcar a par e passo o ventre do amanhã.

Caminhos são o recorte do tempo, rabiscados na alma, até encontrarem os ponteiros de cada segundo do infinito.

Os caminhos continuam pela árdua madrugada da vida enquanto uma chuva miudinha lambe as pedras da calçada e a brisa fria adentra a alma e desnuda a aurora.

Dissabores vão marcando o passado de tropeços e desacertos ao longo de tantas encruzilhadas rasgando o ventre inanimado e estéril do fracasso.

Pela nostalgia de olhar o passado repleto de neblinas, vazios e silêncios, existe ainda o sonho de encontrar o caminho da esperança, carregado de verdes planícies ensolaradas de abraços, de Amor e perdão, até sentir o aroma do amanhã.

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Anna D’Castro



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segunda-feira, 31 de março de 2014

MOMENTOS SÃO...



MOMENTOS  SÃO...

Momentos  são... aqueles em que:
- a água passa sem saber voltar.
- o sangue escorre das palavras perdidas e, o silêncio rubro de lembranças resgatadas invade o tempo que transporta o vento e faz mover o relógio das horas que me envelhecem na emoção das madrugadas.

Momentos  são... aqueles em que:
- o vento sibila tragicamente por entre a teia leve e ardilosa despetalando a alma duma rosa, enquanto tece a luz da manhã e preenche um sonho tardio que paira em meu olhar vazio.

Momentos  são... aqueles em que:
- as estrelas brilham em minhas mãos viajando com a simplicidade duma flor e me entregam nas malhas dum furtivo amor que vibra ao som duma orquestra celestial de pássaros cantando.

Momentos  são... aqueles em que:
- me sinto parida no tempo, vergada pelo peso dos medos que tenho, voando nas asas dum sonho tardio que se transforma em agitada expectativa duma espera que desespera...
Mas a espera nunca é vazia. Ela vibra com a emoção do espanto enquanto cavalga num Pégaso alvo e negro até ao sol do meu desencanto!

Ai momentos  são... momentos!
Breves ou longos... são todos aqueles em que:
- sorvo no ar que respiro o néctar duma linda flor, para poder soltar um grito lancinante pela dor desatinada duma vida quase errante, que me transforma em quase nada, me lançando na água que corre e teima em passar, mas não sabendo sequer como voltar...

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Anna D’Castro


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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

PRIMAVERIL



Vesti-me de flores e deixei a minha alma em festa para saudar a Primavera.

Deitada na grama à sombra dum Ipê florido olhando as nuvens brancas naquele céu tão anil, com os lilases brilhando em cada botão de rosa esperando a noite cair até chegar o luar...

Os olhos fitos para além do horizonte numa planície de borboletas multicores, malmequeres azuis e cravos vermelhos...

Penso num pequeno e belo poema de António Correia de Oliveira e sorvo o ar da Primavera...

“Eu não sei o que tem o sol
Na primavera de manhãzinha
Não sai mais do meu beiral                     
Como se fora andorinha...”



... ... ...

Com a ternura da Primavera, as flores falam com as aves aliciando-as com o seu néctar de amor... e as crianças com seu riso cristalino saltitam felizes pelos jardins odorosos e coloridos...



A noite cessou.
O sol resplandeceu.
A avezinha cantou.
A flor desabrochou.
Uma janela se abriu.
Um menino nasceu...
...acordou, olhou e sorriu...
Era Primavera!



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Anna D'Castro

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sábado, 21 de setembro de 2013

A VIDA COM O SEU ETERNO FAZ DE CONTA E A MORTE DOS SONHOS ADIADOS...


 A morte dos sonhos adiados!

A Vida dos nossos dias são um eterno faz-de-conta...
Faz de conta que somos felizes...
Faz de conta que está tudo bem...
Faz de conta que não existem problemas...
Faz de conta... faz de conta... faz de conta...

- Finalmente descobri que quando estou mal bloqueio... bloqueio o que me rodeia... me desligo e fico numa semi-apatia não querendo ver, nem ouvir ou falar com alguém... Fecho-me, isolo-me e fujo até de mim...

Mas houve um tempo que não era bem assim, conseguia fazer de conta que driblava tudo e revertia as situações. Anos e anos fazendo de conta que não chorava, que os problemas iam e vinham sem que para mim apresentassem dificuldades que eu não conseguisse resolver...

O tempo em que o sol me nascia entre os dedos... Bebia a vida sequiosamente... Tropeçava no riso... Abraçava a noite molhada de palavras e as sombras se abriam... As noites brilhavam e as palavras ecoavam vibrantes e o Céu era o meu Universo sempre aceso...

Anos e anos a fio fazendo de conta que era uma fortaleza e que não iria dar parte de fraca, nem ninguém me iria ver chorar. Me auto convencia que era superior e invencível à dor... Fazia de conta que era como um Dom Quixote de Saias, alimentando os meus Moinhos de Vento, com uma couraça de alegria...

Depois duma infância de rejeições e cruéis agressões, o desejo de ser feliz era como que uma necessidade imperiosa, eu me cobrava demais e as coisas nem sempre corriam de feição, mas tentava ignorar e fazia de conta que iria dar certo...

Adiei meus sonhos de realização pessoal, deixei minhas artes de lado, para cuidar dos filhos, sem arrependimentos, mas com muitas cobranças...

Sempre me cobrei e lhes cobrei, para que tudo fosse certo e correto demais, como se tivesse o dom da perfeição... Deixei de pensar como ser humano falível... Fiz de conta que era infalível... Ah, ledo engano!

Mas o tempo foi-se esvaindo por entre os dedos... E quando todos os silêncios se transformaram em gritos e quando a noite começou a descer sobre o pensamento, não houve música, nem carícias que aliviassem a tristeza e o pesadelo imenso ao acordar e descobrir que o mundo era o mesmo da noite anterior, que me fazia sentir como uma escrava indefesa perante o "tronco," para ser açoitada... O riso murchou... As sombras se fecharam cada vez mais, as palavras ficaram gritando desilusões ao vento... O pranto rompeu as lágrimas que se gotejavam em sangue e o meu mundo caiu...

O meu "armazém" encheu e deixei de conseguir fazer de conta, quando me dei conta que não tinha sido o peso do sonho que fechou meus olhos, mas sim uma dor imensa e indescritível:

-  A morte dos sonhos adiados!

 
..e as lágrimas gotejavam sangue...

E foi aí que parei de conseguir o joguinho de fazer de conta, por muito que tente não dá mais...

..."vivo ao relento contando estrelas...
sonhando com Tágides...

Ninfas tão belas!"...

By@
Anna D'Castro

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CRÔNICA DUMA VIDA QUASE REAL

             

  BIENAL DO RIO 2013 - domingo 1-9 - Pavilhão Verde
         

                    Hoje foi um daqueles dias que o céu conspira a nosso favor.

             Não choveu. A tarde esteve amena e a Bienal do Rio estava apinhada de gente querendo ver e falar com os escritores, com os palestrantes, com os mais badalados... os mais prestigiados... Os novatos, que não puderam publicar com Editoras famosas... são incógnitos!

             Ficam incógnitos por detrás do seu estande, esperando a curiosidade dos que vão passando, olhando aleatoriamente... indiferentes aos anos de sacrifício puxando pela imaginação para escrever o seu romance... os seus poemas... enfim, mostrar e expor a sua Arte.
             Não importa o talento. E quanto talento escondido por detrás da Editoração pessoal. Diga-se abono da verdade, que até mesmo as Editoras menos conhecidas desnudam um 'pobre escritor', levam-lhes o 'couro e o cabelo'...

              Paro naqueles estandes que não têm ninguém e bato um papo com os autores. Ouço a sua história. Compro um livro que me parece interessante, por simpatia me dão outro de presente, para que eu possa ler e propagandear... Outros me oferecem CD's das suas obras mais antigas, esperando que eu compre as mais recentes... Também há aqueles que me pedem para trocar com um dos meus... Me emociono com cada um dos anônimos que sonham ser 'Best Seller', como eu ainda sonho... e sonharei até conseguir. Como um Saramago, (de saias) que tanto escreveu e lutou 'pelo seu lugar ao sol' e o seu dia de NOBEL chegou.

"Nunca desista dos seus sonhos" - Augusto Cury 

              Até quando cada um dos escritores incógnitos e os aspirantes da nobre arte da escrita, terão que lutar para serem lidos... ouvidos e... acreditados? Como eu costumo dizer de mim para comigo mesma:

Insista... insista... resista... mas nunca desista!

                    Depois de participar dum Sarau de poesia para os 'nobres visitantes', regresso a casa com mais bagagem para alguns contos de casos verídicos e emocionantes.

                        Tento começar a escrever algo no computador, mas o sono me aborda e vou me deitar, sonhando com este dia tão comum e tão deliciosamente raro.

                         Adormeço... 

             Adormece a caneta em cima duma folha ainda em branco.
             A inspiração adormecida pediu um tempo para pensar.
             A vida parou por alguns segundos e o movimento do pensamento está imobilizado, alheio ao tempo que passa...

             Há um retrato antigo esfumado.
             Um sopro de vento acorrentado.
             Uma lágrima parada no canto do olho.
             Um sorriso que despenca dos cantos da boca.
             Uma imagem parada num porta-retratos.
             O pensamento que se esquiva às dores da alma.
             E nem a terra macia se atreve a deixar as sementes brotar.

            Os dias estão estáticos de inutilidades, ausências de desejos, sonhos, recordações...

            Nada se vislumbra ao redor...

           Apenas o Tic-Tac do relógio nos adverte que o tempo não pára... nem volta para trás!...




By@ 
Anna D'Castro 
(in "Memórias dum Pensador")
Creative Commons License

Almada e Lisboa... as duas belas cidades beijadas pelo Tejo

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José Saramago - O Nóbel da Literatura Portuguesa

"PALAVRAS PEQUENAS... PALAVRAS APENAS..."

Ando por aí querendo te encontrar... Em cada esquina paro em cada olhar... Deixo a tristeza... Trago a esperança em seu lugar... Que o nosso amor para sempre VIVA... Minha dádiva quero poder jurar... Que essa paixão jamais será... Palavras Apenas... Palavras Pequenas... Palavras de Momento... Palavras ao Vento!... "Cassia Eller"

AGRADEÇO A SUA VISITA À *SEMENTEIRA DE PALAVRAS*...


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...VOLTE SEMPRE... DE CORAÇÃO!