AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013

AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013
TRAZIDA DA ILHA DA SEREIA - LINDALVA

quinta-feira, 3 de março de 2016

MÁGOAS


MÁGOAS

Mágoas são ressentimentos guardados a sete chaves... fechados em gavetas de silêncios... espaços em branco preenchidos apenas pela tristeza das paredes nuas e frias dos sonhos por realizar... e que vão gritando um lamento sem resposta ao tempo que passa...

As mágoas que em meu peito ardem... são como lágrimas amargas que sulcam meu rosto em dias de tempestade agonizante... numa procura por um corredor iluminado que conduza ao final do labirinto sombrio por onde vou caminhando...

Tento me encontrar naquela sombra que avança... descansar num recanto acolhedor do caminho... pensar com algum carinho naquele amor que um dia foi meu... mas hoje está somente na penumbra dum passado onde apenas as mágoas imperam e no meu rosto vão-se escorrendo pelos cantos dos olhos... e vão caindo no abismo escuro do desalento e da incerteza...

Mas quando procuro em vão... calar em mim uma voz magoada... o meu corpo se estremece de saudade dos dias em que o sol brilhou... das noites em que a lua veio beijar meu corpo nu... esperando o calor dum outro corpo nu palpitante de paixão...
E minhas mãos cansadas vão tateando o vazio frio onde se escondem os desenganos... e onde a dor é um afago para o meu corpo dormente... que vai adormecendo com o entorpecer da minha alma...  

E esse sentimento carregado da tristeza que fica em mim... fica em mim presa... com uma profunda emoção... com as minhas mágoas vai caindo... tal como a chuva que cai na natureza... assim vão caindo as lágrimas amargas que lavam o meu coração!


By@

Anna D’Castro

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quarta-feira, 2 de março de 2016

INDIFERENÇA


INDIFERENÇA

Seremos sempre dois caminhos paralelos... caminhando lado a lado... mas sempre longe... tão longe de nós... tão longe de tudo o que nos cerca... indiferentes a tudo o que nos rodeia... caminhando entre nuvens de silêncios e tempestades... caminhamos sem olhar para trás... numa ânsia eterna de chegar a qualquer lugar... ao lado de lá da vida... onde ficou o amor... onde ficou o silêncio... aonde ficaram depositados os sonhos e as recordações dos nossos gritos presos para sempre nas gargantas do silêncio... sufocadas pela indiferença e o desdém que habitam em nossos passos e em nossos corpos cansados...

Cada um de nós tem uma vida a que chama de ‘sua vida’... cada um de nós tem sonhos a que chama de ‘seus sonhos’... e deixa perdido o seu olhar nas brumas da vida que deixou para trás... no esquecimento do tempo... afastando as sombras que caminham paralelas sem nunca se encontrarem... ao longo das manhãs sem destino e das noites que não chegam...

Andamos abandonados nas palavras que não se cruzam... caminhamos pelos espaços em branco... da vida que nos rodeia... nos labirintos em que não nos encontramos... vagamos pela escuridão de todas as ruas... somos como a lua e o sol ... anoitecendo e amanhecendo nas estradas do infinito... vazios de nós... perdidos na correria louca do tempo...  

Aonde foi que nos perdemos? Onde nos deixamos? Num cais perdido sem chegadas nem partidas... duma cidade fantasma perdida no desengano... envolta pela nuvem negra da indiferença e da rotina do dia a dia... vegetamos no cansaço dum futuro incerto onde já não há espaço pra nós dois... vagamos perdidos entre o tempo e o vento!



By@ Anna D’Castro


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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O SILÊNCIO... E O TEMPO!


O SILÊNCIO... E O TEMPO!

O tempo passa silencioso... quase sem se dar conta!

As horas deste tempo que passa... também vão passando... os dias vão correndo e a vida ficando mais estreita... mas se permite ter a companhia da sua eterna amiga: a Solidão!

Minha roupagem é feita com o silêncio do tempo que corrói a solidão... com os medos que destratam as palavras... com as vozes que se calam dentro do tempo... com o amor que ficou nas pedras do esquecimento... com a dor do vazio frio do tempo... com as quimeras que choram à luz tremeluzente da lua... pulsando ao som da voz que passa gritante pelas vielas escondidas do meu pensamento...

Os dias passam vazios e a distância se torna maior... ainda que o silêncio do tempo passado nos traga tantas lembranças... quantas saudades... quanta ternura esquecida no silêncio dormente do grande relógio do tempo... 

Olho em redor... tudo é estranho... já se passou tanto tempo desde a última vez que fizemos amor... que nossos corpos se uniram num perfeito sobressalto de paixão... desde quando o sangue ardente gritando estridente nos abrasava num só corpo... numa só alma... num só coração...

Ah... como é doce e amarga a solidão do silêncio do tempo que nos arrasta para o infinito... que nos deixa num emaranhado labirinto de saudades secretas... num vazio de sonhos por viver... esperando em silêncio pelo abraço do tempo... que só chega quando quer...

A saudade é um amor que fica!... alguém disse!... mas a saudade é também a recordação de alguém que mesmo perto... está tão longe e silencioso no vazio do seu tempo...

Às vezes dói-me o silêncio dum instante... quando sonhando com a vida que ficou lá atrás... sou despertada pelo tic...tac... do relógio do tempo presente... me querendo transportar dos sonhos que estavam emparedados no meu pensamento para a realidade do momento... e eu esquecida de mim... abafo os meus desejos dentro de ti... e conto os minutos que faltam para a eternidade...

E o tempo passa... silencioso... quase sem se dar conta!



By@ Anna D’Castro

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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

VESTI-ME DE ROSAS BRANCAS PARA MATAR AS SAUDADES...


VESTI-ME DE ROSAS BRANCAS PARA MATAR AS SAUDADES...

Vesti-me de rosas brancas para matar as saudades de lembranças acorrentadas a um passado perdido... e no desalento das horas mortas me desespero arrastando os sonhos que não vivi nas noites insones...

O sol adormece e a noite vai-se desenhando nos perfis do horizonte... a lua ribomba cheia de si... invadindo o céu cadente de estrelas... que se instalam com sofreguidão para beber o luar...

Os fantasmas ensombram os silêncios da calada da noite... e a lua linda e cheia... espreita os sons dos rouxinóis cantando o seu trinado magoado... e se deleita com a maravilhosa visão do universo...

E há as lembranças passadas que carregam amores inventados... mal amados e desencontrados na longa estrada da vida... que me perseguem pela calada da noite...

Quero esquecer as recordações que me atormentam... dormir em noite branda... vestida com as rosas mais belas... brancas e perfumadas que me envolvem no seu aroma suave e acolhedor que quase me adormecem pela madrugada...

Há gotas de orvalho cintilando nas folhas e nas pétalas de cada flor do jardim... Os sons dos bem-te-vis cantando a sua eterna ladainha e pairando no ar com o seu balé acrobático e delirante me deixam extasiada pela beleza do amanhecer...
Saúdo o ar fresco da manhã e me despeço da sombra ténue da lua que se esvai na penumbra do horizonte... e uma prece bailando em meus lábios se agita no meu olhar como o manto da madrugada que terminou...

E mais uma vez... quero vestir-me de rosas brancas para matar as saudades... mas quando a voz do pensamento enfim se cala... vou gritar ao silêncio as lembranças... os aromas... e os sons das tempestades... ainda vagueio perdida numa aurora já sem lua... mas todos os caminhos percorridos agora são meus... e as esperanças embora passageiras reconfortam as ilusões fugidias e afagam a solidão companheira dos meus dias... que dá novo alento às minhas saudades...

By@ 
Anna D’Castro

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

ESBOÇOS


ESBOÇOS


Trago em mim o esboço duma vida dolorida acompanhado por um pensamento com asas silenciosas... que se transcrevem na escrita do tempo... tal como a dança da vida que vive na emoção do amor e da esperança... quando se embriaga de palavras que ajudam a espantar a dor...

Sou mutante de regras e repressões... carrego nos ombros o pesado fardo das transgressões quando minhas mãos traçam os rabiscos obscuros das nefastas negações... e deixa meu esboço esculpido na linha ténue dos meus espaços em branco...

Meu olhar se perde na imensidão do horizonte procurando o eco do vento enquanto minha boca esboça um canto silencioso e uma lágrima teimosa mancha o rosto cansado de chorar-me perdida...

Quando me anoitece a saudade... me transmuto para o labirinto da culpa... onde não me encontro... e rasgo as folhas perdidas por aí... onde nada escrevo... só rabiscos e esboços de espaços vazios... e o tempo esgotando-se... e a vida escorrendo-se por entre os dedos... e eu já sem forças pera dedilhar um acorde de violino e recomeçar o esboço duma nova canção de amor... e o relógio do tempo que avança... e a minha vida vazia... como as sombras da noite... dança!

By@
Anna D’Castro

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quinta-feira, 9 de julho de 2015

NA SOLIDÃO DA NOITE


NA SOLIDÃO DA NOITE...


Na solidão duma noite chuvosa bate em mim uma saudade que não cabe mais dentro do peito e vai-se escorrendo pelos olhos...

Na solidão duma noite tenebrosa vai corroendo no coração uma cicatriz do sofrimento dum passado infeliz...
 
Na solidão da noite guardo um olhar carregado de lágrimas e sorrisos enquanto vagueio na incerteza do destino...

Na solidão da noite me descubro no silêncio da madrugada... meu corpo clama a tua falta e abraça a tua ausência... meu coração perambula no pensamento despido de todos os desejos... a minha saudade se desnuda para confessar-te os segredos duma noite insone e fria... e o meu olhar te oferece a minha cama vazia...

Na solidão da noite meus lábios pronunciam teu nome e suspiram pelos pedaços do amor que se esvai por entre os dedos queimando a pele que envolve meu corpo estremecido pelo acordar dum pesadelo...

É na solidão duma noite de insônia que vou relembrando passagens da minha vida que não é fácil... que não tem sido fácil... mas sem dificuldades... sem pedras no caminho... sem lágrimas ou decepções... sem lutar pela felicidade... a vitória não será possível... o sorriso não aflora nos lábios...

E é no silêncio da madrugada que vislumbro a estrada do arco-íris que me espera com um sorriso... no finalzinho da manhã ensolarada... depois duma noite insone e tenebrosa num dilúvio duma chuva copiosa...

By@ Anna D’Castro 

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quarta-feira, 10 de junho de 2015

TENHO LÁGRIMAS E SORRISOS!...


TENHO LÁGRIMAS E SORRISOS!...

Tenho lágrimas de tristeza chovendo em meu rosto... tenho lembranças amadas que me apertam o coração...
Tenho sorrisos nos lábios quando toco teu corpo palpitante... vestido de amores-perfeitos...
Trago nas mãos réstias de caules e folhas de flores... as pétalas de todas as flores que salpicam a estrada por onde passa o Amor e a saudade... algumas réstias de espinhos prendem meus passos na noite e mos devolvem na madrugada!
Vestida de pétalas de rosas... adornada por jasmins lilases... sigo na busca do amor-perfeito... que em sonhos se esfumou na estrada dum arco-íris florido!
Todo o sonho tem o seu espaço em branco... esperando a claridade do amanhecer...
Todo o poema tem um verso em branco esperando a rima mais bela...
Meus poemas sonham com uma música suave ou com uma guitarra que toque baixinho... seus versos doces e tristes... num fado triste e magoado...
Trago nas mãos cansaços que me afagam... meu corpo se aquieta numa tela vazia... minha insônia vagueia em cima duma cama solitária e fria... e as minhas recordações repousam nas palavras que saem da minha boca sedenta do calor do teu sorriso...
O silêncio vai doendo na solidão dos dias... o tempo marca o compasso das horas sombrias... e a vida marca de sulcos... meu rosto cansado das longas esperas pela justiça das injustiças passadas...
Meu quarto é meu refúgio... onde sonho as insônias geladas no aconchego duma cama vazia... onde grito o silêncio que ninguém pode ouvir... onde choro a distância que me separa dos amores que lá deixei...
Trago nas mãos a alma dos meus desabafos... feitos versos de solidão... feitos sonhos de esperança... vestidos de risos e cansaços...
As palavras que me agridem... não têm afeto ou carinho... nasceram em masmorras sombrias de dor e descompaixão... por entre sorrisos e lágrimas se fundem com a solidão...
As palavras que me agridem... têm a quimera por carcereira... e numa redoma de vidro prenderam uma esperança pequenina que não pode desabrochar porque seu viço secou...
A eternidade me acompanha a cada raiar de aurora... sorrisos e lágrimas que importa... a minha esperança é eterna... não seca como a outra pequenina que não pode desabrochar...
Minha esperança vem doce na tempestade... suave com o vento suão... com abraços fraternos de laços sem nós...
A vida nos dá dureza... por vezes muita tristeza... mas como saber o seu sabor se não houvessem lágrimas e sorrisos... para além duma grande perda... para além duma enorme Dor?!

By@ Anna D’Castro

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COMO UM PÁSSARO FERIDO




É na solidão da noite que grito ao vento o meu silêncio procurando a eternidade que existe entre a terra e o infinito...

É num céu sem estrelas que afasto uma lágrima que teima em escorrer no ocaso do meu olhar...

É na saudade da tua lembrança que afasto as pedras que barram os caminhos... com tantos espinhos...

É no sereno da madrugada que lavo meu rosto das trevas e das rugas que sulcam a tristeza dos meus medos...

É no silêncio das minhas palavras que escondo os desabafos que ao longo da vida se foram escorrendo por entre os dedos...

É na tristeza dum dia gelado que procuro os raios de sol que ficaram sepultados na bruma das tempestades e que invadem meu corpo inerte... carente de calor esperando os afagos do amor...

É nas paredes nuas do meu quarto que guardo todas as mágoas e desenganos que se foram enraizando no meu peito... onde sepulto as saudades dum tempo que se esvai ténue no pensamento e onde vou calando o meu descontentamento... e onde grito as feridas expostas que rasgam minha pele e dilaceram meu coração repleto de cicatrizes...

É nos pesadelos que cavalgo um corcel perdido e sinto uma loucura febril quando minha alma cansada flutua inerte pelo vazio das minhas mãos vazias... rasgando as trevas da noite...

É na imensidão das sombras que abrigo agonias e cansaços e recolho as cinzas do desamor e do desdém...

É no final do pôr-do-sol que a lua nasce e se vai deleitando com os amores que nascem de minuto a minuto sob um véu de pétalas de flores...

É na esperança do novo porvir que a vida cavalga nas asas do pensamento... voa e flutua nos sonhos adiados... e desata os nós que prendiam os laços... e reata os abraços que estavam perdidos do outro lado da vida...

O meu pensamento... como pássaro ferido... quer reaprender a voar... retomar o seu voo e seguir o seu destino... ver a vida florir  como um colorido arco-íris... para poder apenas reaprender a ser feliz!



By@ Anna D’Castro



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segunda-feira, 9 de março de 2015


Portugal - Lisboa: Esfera Armilar - o Tejo - o Cacilheiro 
- Almada: A ponte 25 de Abril - o Cristo Rei... 

“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.
Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse:
- ‘Não há mais que ver’, sabia que não era assim.
O fim duma viagem é apenas o começo doutra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem. SEMPRE.”


Livro Viagem a Portugal de José Saramago

... "Viajar é preciso para manter o conhecimento sempre aceso!"...
Frase de Anna D'Castro

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

CARROSSEL DOS SONHOS ADIADOS


CARROSSEL DOS SONHOS

O livro da minha vida é um carrossel de sonhos adiados
Esculpido nas asas dum corcel perdido...
Descrito sobre o descaso e o pranto...
Folheado na história duma causa esquecida...
Guarda surpresas e lágrimas de espanto...
Quantas histórias que se encerram numa vida...
E quantos silêncios escritos nas páginas em branco...
A minha vida é tal como um carrossel... gira em torno dos meus sonhos adiados... com sinuosas ondulações... lembranças... conquistas... mágoas... injustiças... e saudades...
As paredes do meu quarto sabem histórias da minha vida que eu não posso contar... 
No ocaso do meu olhar... grito aos ventos poentes segredos que eu não quero guardar... 
Dispo-me de tenebrosas lembranças e palavras sem sentido... jogo fora as mágoas que me atormentam nos pesadelos das noites vazias... 
Se for necessário virarei o mundo ao contrário para obter alguma resposta concreta para entender esta vida abstrata... 
Sou caçadora de sóis e sonhos... luares com marés estreladas em praias desertas... de madrugadas melodiosas exalando aromas a pétalas de rosas ... e de manhãs de auroras boreais... 
Caminho entre o céu e o infinito para não me despencar no precipício dos sonhos perdidos... para encarar os silêncios mal ouvidos... para não me desesperar com os julgamentos mal digeridos... 
No meio das sombras invisíveis há um caminho por entre a escuridão duma noite sem lua... que percorro às cegas com medo de me perder na demência dos sentidos... e as nuvens brancas que enfeitam os céus são sinuosas imagens de esplendor... 
Traço e disfarço o meu próprio espaço... vivo entre as oscilações de humores... de medos e de esperanças...
As fugas e os medos situam-se em humores vazios no imo de todas as emoções...
Mas neste carrossel de ilusões fazem-me falta as noites de poesia...
As manhãs de pura magia...
E as tardes esperando o pôr do sol...
Estou tentando parar as horas e os dias...
Estou tentando fazer com que o tempo pare de correr...
Meus sonhos precisam sentir as emoções e as alegrias...
Para um necessário e auspicioso amanhecer...


By@ 
Anna D’Castro


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domingo, 4 de janeiro de 2015

MADRUGADAS...


MADRUGADAS... de Amor

Faz-se tarde amor... e as horas rubras sufocantes... queimam o ar que respiro e me sufoca...  e quanto desassossego existe nas horas mortas do fim de tarde... e o meu peito arde... e tu me persegues como se fosses a minha sombra na madrugada... a sombra que ocupa os meus pensamentos nas horas amargas da madrugada... e o tempo que teima em correr... e eu deixo fluir meus sonhos... como se neles pudesse voar... e os meus sonhos ocupam toda a madrugada... ocupam toda a dimensão do meu pensamento no silêncio da madrugada...

O sereno vai caindo com a brisa da madrugada... e vai deixando o odor a terra fresca com gosto de saudade... que afaga o vagalume com golpes frescos... e ele brilha... brilha... doce... como um favo de mel... rebrilha e pisca... sentindo o aroma suave do rosmaninho na estrada... e nós abraçando as estrelas somos peregrinos das horas mortas... trazemos as loucuras escondidas nas transparências da madrugada...

Como é tarde amor... e quantas recordações guardo dos abraços que um dia se perderam nas longas noites de espera pela realidade ou quimera... e não sei mais inventar uns braços de fortes abraços... que prenderiam meu corpo... que vai, sem rumo, perambulando pelas vielas estreitas... pelas horas escondidas nos recônditos escuros da madrugada...

Envolvemos a alma que já está cansada da longa espera ... a incerteza do instante em que tão perto e tão distante... nos traz o cheiro da madrugada... quente e doce das frutas e das flores... das mangas e das margaridas... das amoras e das maçãs perfumadas de rosas e de jasmins... a madrugada desce pela calada da noite... com seu manto de cetim...

E é já tão tarde meu amor... e continuo perambulando no silêncio das horas caladas... dum destino sem luz... nas madrugadas do meu eterno tormento onde deixo depositado todo o meu descontentamento.

E a tua sombra vai deslizando errante de bar em bar... numa noite de lua cheia... querendo beber todo o luar...

E é já tão cedo meu amor... a lua afagou mais uma madrugada fria com seu doce encanto e agora só nos resta esperar o nascer do dia... e a Dama da Noite com seu perfume doce... também nos espera... ela nos quer envolver com o resto do seu aroma para fechar suas pétalas e adormecer... até renascer na próxima madrugada...

Ao longe um bêbado vai entoando e improvisando uma canção:
“- Triste madrugada foi aquela... que eu perdi meu violão... ela não quis minha serenata... e eu quebrei meu coração...”...


By@ 
Anna D’Castro 

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

HISTÓRIA DUMA MULHER...


HISTÓRIA DUMA MULHER... 

Há por esse mundo uma mulher que sofre e luta contra a angústia dum passado magoado por indiferenças... desilusões e saudades... revoltada contra um mundo de traições e tempestades... que teve a sua vida roubada por alguém que a abandonou ao desatino da sorte e por egoísmos cruéis e desleais... em seu peito cravou trágicos punhais de indiferença e desdém.

Quantas mulheres por esse mundo sofrem no silêncio do seu quarto pela falta dum carinho... dum abraço... dum toque duma mão em seu ombro... duma palavra que ficou por dizer... dum beijo dado com amor... duma ternura fraterna, esquecida num labirinto de emoções... com tantos sonhos e recordações que se vão esfumando na penumbra do tempo?

Quantas mulheres se entregaram para alguém que as desiludiu... que as maltratou com palavras e gestos... com ausências e esperas... com vazios sem espaços... com silêncios e demoras... caminhando sozinhas por vielas escuras e estreitas... com alguém do seu lado... mas sempre ausente... tão perto do nada e tão longe de si?

Como todas essas mulheres que existem algures por aí clamando por carinho...  justiça e palavras de ternura, jamais ouvidas... querendo um pouco mais de calor e da atenção do seu amor...
Existe uma mulher sozinha que desceu à vida na madrugada... que a Triste Mágoa chamou de filha... e que num dia coberto de fria geada... foi abandonada numa estrada sem trilha...
 
Existe essa mulher que se rebela contra um caminho incerto... em busca de algo que lhe roubaram da vida... e sempre caminhando vai perambulando por estradas sem fim... rasgando o seu corpo nas pedras da calçada... dilacerando os seus sonhos nas arestas pontiagudas das paredes nuas do seu pensamento...

Existe essa mulher que, no acaso do tempo, teve quase tudo o que desejou... filhos... carinhos... amor... que, por um mau acaso dos homens... ficou sem os seus bens mais preciosos... por imposições e vinganças... ficou do outro lado da vida... ao sabor do tempo e dos julgadores mais impiedosos... sem poder fazer as suas escolhas... de mãos atadas... engolindo silêncios... sendo julgada... maltratada... ignorada...

No meio dessas tantas mulheres... existe essa mulher que solta seus gritos... abafa seus medos... engole seus silêncios... e chora lágrimas de saudade pelas recordações dos seus queridos estampados nos retratos inertes... e que lhe foram roubados... com a sua vida roubada...

Por entre tantas mulheres... existe uma mulher que implora pelos restos das migalhas do pão que o diabo amassou... que se veste de esperança... tentando ser várias... em várias de si... porque só a vida que lhe sobrou  não lhe basta... porque a chama de Deus crepita dentro de si... porque ainda acredita que a sua desdita chegará ao fim... e a Fé em Deus e não nos homens... lhe dará novos passos... lhe trará novas esperanças... novos anseios... e matará as saudades dos saudosos abraços... dos carinhos dos seus amados... das recordações guardadas dentro de caixas amassadas pelo esquecimento do tempo e que dilaceram o seu coração.

Será que alguém conhece por entre essas mulheres... a mulher que chora e se agita... que se revolta... que grita... no seu silêncio magoado... que canta o seu fado triste e angustiado... implorando pela justiça de Deus... já que a dos homens tudo lhe tirou... e em troca pouco ou nada lhe doou?
– Essa mulher que engole silêncios e tempestades... desilusões e saudades... querendo resgatar o que é seu... pois bem, essa mulher sou eu!


By@
Anna D’Castro




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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

AUSÊNCIAS...


AUSÊNCIAS


A vida me abandonou em uma encruzilhada de estradas sem trilhos... com veredas estreitas e ausência de brilhos...
As recordações se acorrentam a um vendaval de desilusões... e o pânico das tempestades me paralisam os sentidos.
Sou feita de silêncios... gritos...  e esperas... fui moldada no barro lodoso do pântano das quimeras... sou filha do desamor e da incerteza... irmã do desalento com as entranhas secas por uma angústia de saudades e desditas, que ardem em meu peito, embriagam o meu destino e envenenam a minha alma.

Ausências são cinzas dum vulcão adormecido... são reminiscências dum tempo perdido... são gritos silenciosos sem estertor... rastros de passos sombrios... pesadelos de noites de terror... apelos perdidos no esquecimento das pedras do caminho... um olhar que se perde na imensidão do nada... cinzas enegrecidas... desfeitas na bruma se espalhando com o sopro do vento norte... por uma longa e solitária estrada... que me limita o pensamento me querendo transformar em quase nada...

Quando minhas mãos tateiam o vazio... só encontram o lamento cansado das demoras.
Meus braços... já tão cansados da espera por abraços... se abandonam aos murmúrios de longínquas lembranças... 
Por entre o suor do meu corpo escorrem as mágoas das partidas sem chegadas... das noites brancas e frias... das insones madrugadas... pesadas e vazias...

Ausências são desencontros dos sonhos... ternuras negadas... palavras duras e secas como vergastas que açoitam meu coração e fustigam meu corpo cansado nas geladas madrugadas... sem claridade... sem vida... sem um pouco de calor... a voz se estrangula na garganta carente de singelas palavras de amor...e a angústia me acalenta no seu longo manto de solidão...

As minhas ausências estão guardadas nos sentimentos aprisionados em lamentos vãos e irônicos que se prenderam nas palavras que não ousei dizer... nos espinhos que rasgaram a liberdade de pensar e sentir... e eu sempre carregando um solitário botão de rosa na primavera que precisava de chuva para poder-se abrir...

E o tempo sempre correndo... e a vida se esquecendo de mim... e as minhas mãos tão cansadas se unem numa prece... para libertar o odor das saudades dos ventos poentes... quero sacudir as ausências... exalar os aromas de poesia... e trocar fechaduras do meu coração trancado em baús de fantasia... preciso reviver para me encontrar nas ausências que tiraram da vida... o meu lugar!


By@ 
Anna D’Castro


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domingo, 23 de novembro de 2014

AFAGO A SOLIDÃO


AFAGO A SOLIDÃO...

Afago a solidão no silêncio do meu quarto, vazio do teu corpo... vazio de orgasmos... vazio de amor... e nas ausências dos beijos molhados procuro a noite... que se esconde na penumbra das sombras fugidias... mas não há noites tão longas que não encontrem os dias... e os dias são difíceis... e as noites são longas... e as nuvens pesam e a chuva cai... a chuva cai nos meus olhos gota a gota... e lágrimas desaguam no mar salgado das minhas desilusões  até encontrarem as ondas douradas que transbordam de todo o luar...

Afago a solidão como quem morde o silêncio duma alma nua... como quem dança um triste tango de Gardel... ou uma contradança antiga numa noite sem luar... como quem se perde num labirinto sombrio e onde ninguém o pode achar... e ao longe apenas o som dum bater de asas duma borboleta quase moribunda que procura um lugar para descansar...

Afago a solidão quando a dor dum sonho desfeito veste meu corpo de angústias... quando a nostalgia se transforma em mortalha talhada na pedra dura do fracasso... quando o desprezo se mistura em ausência de desejos... quando me escondo na secura amarga duns falsos beijos... nas carícias não sentidas... e nas lágrimas jorradas dum rosto enrugado pelo relógio do tempo que continua marcando o seu fatídico compasso nos ecos duma saudade...

Afago a solidão quando fecho os olhos e sinto o mar acariciando meu corpo sedento do teu... quando as ondas batem suavemente na areia e desnudam minha alma carente dum pouco mais de calor...

Afago a solidão quando os raios da lua cheia salpicam meu rosto de purpurina doce... quando lembro teu nome e o desenho na areia que o mar sempre apaga e me deixa apenas com as lembranças... e com as mágoas que se enraizaram no imo das palavras por dizer...

Afago a solidão quando as tristezas são o refúgio das ilusões perdidas... quando as lágrimas são uma certeza de saudades perfumadas de desejos contidos numa noite sem estrelas... e onde a lua perdeu o luar...

E no silêncio vazio do meu quarto vazio, adormeço nos braços envolventes da saudade... beijo teu corpo nu nas sombras nuas das paredes nuas do meu quarto nu e frio... e sonho com o momento em que, num êxtase de paixão, acaricio esse corpo sem rosto... sorvo esses beijos sem boca... mergulho-me nesse olhar azul do céu dos meus desejos... acaricio tua pele imaginária e escaldante que queima os meus sentidos... embebedo-me com o vinho doce que verte das tuas lágrimas amargas... vibro com as tuas mãos acariciando os recônditos das minhas ilusões... e por fim me afogo no desvario dos nossos corpos molhados de suor e com a ternura dum quente beijo me deixo envolver nos teus abraços imaginários... e adormeço afagando a solidão...

By@
Anna D’Castro


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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

PRISIONEIRA DOS MEDOS


PRISIONEIRA DOS MEDOS

Não me permito chorar por medo da solidão, por isso me divido em pedaços...

Não tenho medo do escuro porque as paredes do meu quarto são de vidro e transparecem todas as luzes do mundo...

Já enfrentei os algozes que carregavam tempestades que desaguaram na minha alma, abafando os silêncios de todos os gritos... e eu escrava de medos atrozes, sepultei frustrações nos ventos poentes e vou carregando as saudades dentro do peito do lado do coração... atravessando mares, montanhas e desertos sem medo da sorte ou de encarar a morte...

Mas às vezes tenho medo de olhar o infinito e esquecer que na vida não há meias verdades ou verdades absolutas... que nada é absolutamente certo ou errado dependendo das situações...

Às vezes me perco na imensidão duma praia deserta e sinto um medo estranho de contemplar os vastos céus, pois meus olhos ficam inundados de lágrimas salgadas, parecendo dois brilhantes tremeluzentes iluminados pelo luar... e o mar os tenta levar para tão longe de mim... para junto do nada...

Às vezes tenho medo de que em alguma noite sem lua, não existam mais estrelas no céu... de que as estrelas cadentes não atendam os meus pedidos... de que a lua caia sobre os meus sonhos e os desmanche como o mar desmancha os belos castelos de areia que tanto esforço me dão para conseguir erguê-los...

Às vezes tenho medo que no meu jardim dos sonhos possíveis, as flores não possam florescer e murchem sem que algum dia possam sentir um beijo de amor... temo que nos meus próximos versos não restem rimas nem papéis para escrevê-los...

Há noites de breu... sem lua... num céu sem estrelas... onde vou esculpindo os medos do silêncio da noite... e onde surgem as tempestades que me apavoram... e trazem consigo os fantasmas dum passado magoado... que vão flutuando na minha mente... arrastando as pesadas correntes dos meus lamentos... ao longo dos corredores da minha vida... tentando algemar as sensações mais escondidas... deixando-me numa prisão de palavras... prisioneira dos medos que eu quero esquecer...

Mas quando solto meus medos... acaricio os espinhos das minhas saudades... afago com ternura as doces lembranças duma doce ilusão... afugento os pesadelos nefastos que querem sepultar meus sonhos num vazio profundo... e jogo meus cabelos ao vento para que eles afastem as tempestades que tanto me apavoram... e quando por fim me trazem o calor do sol brilhante e a beleza do arco íris cativante... então se abre uma estrada florida por entre brancas nuvens de esperança... que vão afastando as grades do espanto e me libertam da clausura das teias do tempo... serenamente... placidamente... na busca duma eternidade sem destino marcado...


By@

Anna D’Castro



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José Saramago - O Nóbel da Literatura Portuguesa

"PALAVRAS PEQUENAS... PALAVRAS APENAS..."

Ando por aí querendo te encontrar... Em cada esquina paro em cada olhar... Deixo a tristeza... Trago a esperança em seu lugar... Que o nosso amor para sempre VIVA... Minha dádiva quero poder jurar... Que essa paixão jamais será... Palavras Apenas... Palavras Pequenas... Palavras de Momento... Palavras ao Vento!... "Cassia Eller"

AGRADEÇO A SUA VISITA À *SEMENTEIRA DE PALAVRAS*...


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...VOLTE SEMPRE... DE CORAÇÃO!