AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013

AS PALAVRAS COLABORAM COM A VELA DA PAZ - 2013
TRAZIDA DA ILHA DA SEREIA - LINDALVA

sábado, 20 de setembro de 2014

HÁ PALAVRAS... e palavras...



Há palavras que habitam a nossa mente como um guia que consola e desafia o pensamento, tal como um fio de navalha que atravessa a nossa atenção... como uma chave mestra que abre e fecha o coração.

A palavra atirada ao acaso tem dois gumes como a faca que agride ou que lapida um valioso diamante.

É preciso cuidado quando uma palavra é dita, pois na nossa alma fica gravada e jamais poderá ser apagada.

Toda a palavra, quando apontada na direção errada, é uma arma disparada por uma língua afiada.

As palavras de traição se trancam num árido labirinto onde não querem ser encontradas. Mas as palavras quando lançadas com amor e ternura, são um afago carinhoso... um doce beijo de borboleta, que vai esquentando os corações mais gelados.

A palavra na poesia é a ponte que nos transporta através dum rio de imagens que se estendem dormentes procurando no fundo das sombras a direção do silêncio rubro, que engole o poema se a palavra está trancada no imo das recordações.

Entre a palavra perdida e a lembrança resgatada, há palavras com sabor a lágrimas salgadas, a suor de carne bruta... veredas estreitas e sangrentas que devoram as sombras estonteantes e vão deambulando pelas letras dum poema...

Com o nascer do poema, juntam-se as palavras, uma após outra, como se fossem gotículas de orvalho pingando nas folhas brancas do caderno de poesias... viajando no pensamento e trazendo pequenas fantasias... as palavras amamentam um poema como os oásis verdejantes alimentam os desertos de miragens dos poetas e vão devolvendo ao vento as lembranças sem tempo e sem destino...



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Anna D’Castro

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

SEM PRESSA...

Caminho devagar porque a pressa me venceu... um dia já fui ansiosa esquecida da fadiga. A vida era uma corrida e a esperança de tudo perfeito era uma exigência que foi naufragando com o tempo da sabedoria.


Hoje exijo uma pressa moderada... dissolvo-me em outonos primaveris e invernos estiosos, bem mais calmos que os outrora escaldantes e que foram ressecando as pétalas das rosas, as raízes expostas ao frio do vento e deixaram suas marcas na pele fresca da juventude.


À minha volta o abandono da fadiga... a esperança naufragando com o desconsolo da solidão que me faz recordar das sementes guardadas e hoje transformadas em lágrimas amargas por momentos não vividos. Ao redor choram rosas famintas de carinhos... as horas vão morrendo nas trevas antes de chegar o alvorecer, mas nenhuma é igual às que viveram antes do envelhecer.


Sem pressa quero procurar meu corpo cansado e abandonado à sorte com a alma ferida que partiu para longe de mim. Vou tentando prender o tempo da espera que se vai escoando por entre os dedos encarquilhados pelo soprar tenebroso do vento agreste das recordações.


A vida é breve, mas a pressa é inimiga da perfeição... colorindo o anoitecer, a calma clama por um espaço nas noites consteladas, diante da espera da magia do sonho que vai prolongando a doce luz do renascer.


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Anna D’Castro



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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CAMINHOS





  CAMINHOS...



Caminhos são florestas de desejos incontidos...
Um avançar parado dentro duma redoma de luz e sombra ardentes.

Ainda não decorei os caminhos da vida, mas invento no próximo amanhecer os sons, os aromas e as imagens que irão sulcar a par e passo o ventre do amanhã.

Caminhos são o recorte do tempo, rabiscados na alma, até encontrarem os ponteiros de cada segundo do infinito.

Os caminhos continuam pela árdua madrugada da vida enquanto uma chuva miudinha lambe as pedras da calçada e a brisa fria adentra a alma e desnuda a aurora.

Dissabores vão marcando o passado de tropeços e desacertos ao longo de tantas encruzilhadas rasgando o ventre inanimado e estéril do fracasso.

Pela nostalgia de olhar o passado repleto de neblinas, vazios e silêncios, existe ainda o sonho de encontrar o caminho da esperança, carregado de verdes planícies ensolaradas de abraços, de Amor e perdão, até sentir o aroma do amanhã.

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Anna D’Castro



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segunda-feira, 31 de março de 2014

MOMENTOS SÃO...



MOMENTOS  SÃO...

Momentos  são... aqueles em que:
- a água passa sem saber voltar.
- o sangue escorre das palavras perdidas e, o silêncio rubro de lembranças resgatadas invade o tempo que transporta o vento e faz mover o relógio das horas que me envelhecem na emoção das madrugadas.

Momentos  são... aqueles em que:
- o vento sibila tragicamente por entre a teia leve e ardilosa despetalando a alma duma rosa, enquanto tece a luz da manhã e preenche um sonho tardio que paira em meu olhar vazio.

Momentos  são... aqueles em que:
- as estrelas brilham em minhas mãos viajando com a simplicidade duma flor e me entregam nas malhas dum furtivo amor que vibra ao som duma orquestra celestial de pássaros cantando.

Momentos  são... aqueles em que:
- me sinto parida no tempo, vergada pelo peso dos medos que tenho, voando nas asas dum sonho tardio que se transforma em agitada expectativa duma espera que desespera...
Mas a espera nunca é vazia. Ela vibra com a emoção do espanto enquanto cavalga num Pégaso alvo e negro até ao sol do meu desencanto!

Ai momentos  são... momentos!
Breves ou longos... são todos aqueles em que:
- sorvo no ar que respiro o néctar duma linda flor, para poder soltar um grito lancinante pela dor desatinada duma vida quase errante, que me transforma em quase nada, me lançando na água que corre e teima em passar, mas não sabendo sequer como voltar...

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Anna D’Castro


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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

PRIMAVERIL



Vesti-me de flores e deixei a minha alma em festa para saudar a Primavera.

Deitada na grama à sombra dum Ipê florido olhando as nuvens brancas naquele céu tão anil, com os lilases brilhando em cada botão de rosa esperando a noite cair até chegar o luar...

Os olhos fitos para além do horizonte numa planície de borboletas multicores, malmequeres azuis e cravos vermelhos...

Penso num pequeno e belo poema de António Correia de Oliveira e sorvo o ar da Primavera...

“Eu não sei o que tem o sol
Na primavera de manhãzinha
Não sai mais do meu beiral                     
Como se fora andorinha...”



... ... ...

Com a ternura da Primavera, as flores falam com as aves aliciando-as com o seu néctar de amor... e as crianças com seu riso cristalino saltitam felizes pelos jardins odorosos e coloridos...



A noite cessou.
O sol resplandeceu.
A avezinha cantou.
A flor desabrochou.
Uma janela se abriu.
Um menino nasceu...
...acordou, olhou e sorriu...
Era Primavera!



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Anna D'Castro

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sábado, 21 de setembro de 2013

A VIDA COM O SEU ETERNO FAZ DE CONTA E A MORTE DOS SONHOS ADIADOS...


 A morte dos sonhos adiados!

A Vida dos nossos dias são um eterno faz-de-conta...
Faz de conta que somos felizes...
Faz de conta que está tudo bem...
Faz de conta que não existem problemas...
Faz de conta... faz de conta... faz de conta...

- Finalmente descobri que quando estou mal bloqueio... bloqueio o que me rodeia... me desligo e fico numa semi-apatia não querendo ver, nem ouvir ou falar com alguém... Fecho-me, isolo-me e fujo até de mim...

Mas houve um tempo que não era bem assim, conseguia fazer de conta que driblava tudo e revertia as situações. Anos e anos fazendo de conta que não chorava, que os problemas iam e vinham sem que para mim apresentassem dificuldades que eu não conseguisse resolver...

O tempo em que o sol me nascia entre os dedos... Bebia a vida sequiosamente... Tropeçava no riso... Abraçava a noite molhada de palavras e as sombras se abriam... As noites brilhavam e as palavras ecoavam vibrantes e o Céu era o meu Universo sempre aceso...

Anos e anos a fio fazendo de conta que era uma fortaleza e que não iria dar parte de fraca, nem ninguém me iria ver chorar. Me auto convencia que era superior e invencível à dor... Fazia de conta que era como um Dom Quixote de Saias, alimentando os meus Moinhos de Vento, com uma couraça de alegria...

Depois duma infância de rejeições e cruéis agressões, o desejo de ser feliz era como que uma necessidade imperiosa, eu me cobrava demais e as coisas nem sempre corriam de feição, mas tentava ignorar e fazia de conta que iria dar certo...

Adiei meus sonhos de realização pessoal, deixei minhas artes de lado, para cuidar dos filhos, sem arrependimentos, mas com muitas cobranças...

Sempre me cobrei e lhes cobrei, para que tudo fosse certo e correto demais, como se tivesse o dom da perfeição... Deixei de pensar como ser humano falível... Fiz de conta que era infalível... Ah, ledo engano!

Mas o tempo foi-se esvaindo por entre os dedos... E quando todos os silêncios se transformaram em gritos e quando a noite começou a descer sobre o pensamento, não houve música, nem carícias que aliviassem a tristeza e o pesadelo imenso ao acordar e descobrir que o mundo era o mesmo da noite anterior, que me fazia sentir como uma escrava indefesa perante o "tronco," para ser açoitada... O riso murchou... As sombras se fecharam cada vez mais, as palavras ficaram gritando desilusões ao vento... O pranto rompeu as lágrimas que se gotejavam em sangue e o meu mundo caiu...

O meu "armazém" encheu e deixei de conseguir fazer de conta, quando me dei conta que não tinha sido o peso do sonho que fechou meus olhos, mas sim uma dor imensa e indescritível:

-  A morte dos sonhos adiados!

 
..e as lágrimas gotejavam sangue...

E foi aí que parei de conseguir o joguinho de fazer de conta, por muito que tente não dá mais...

..."vivo ao relento contando estrelas...
sonhando com Tágides...

Ninfas tão belas!"...

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Anna D'Castro

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CRÔNICA DUMA VIDA QUASE REAL

             

  BIENAL DO RIO 2013 - domingo 1-9 - Pavilhão Verde
         

                    Hoje foi um daqueles dias que o céu conspira a nosso favor.

             Não choveu. A tarde esteve amena e a Bienal do Rio estava apinhada de gente querendo ver e falar com os escritores, com os palestrantes, com os mais badalados... os mais prestigiados... Os novatos, que não puderam publicar com Editoras famosas... são incógnitos!

             Ficam incógnitos por detrás do seu estande, esperando a curiosidade dos que vão passando, olhando aleatoriamente... indiferentes aos anos de sacrifício puxando pela imaginação para escrever o seu romance... os seus poemas... enfim, mostrar e expor a sua Arte.
             Não importa o talento. E quanto talento escondido por detrás da Editoração pessoal. Diga-se abono da verdade, que até mesmo as Editoras menos conhecidas desnudam um 'pobre escritor', levam-lhes o 'couro e o cabelo'...

              Paro naqueles estandes que não têm ninguém e bato um papo com os autores. Ouço a sua história. Compro um livro que me parece interessante, por simpatia me dão outro de presente, para que eu possa ler e propagandear... Outros me oferecem CD's das suas obras mais antigas, esperando que eu compre as mais recentes... Também há aqueles que me pedem para trocar com um dos meus... Me emociono com cada um dos anônimos que sonham ser 'Best Seller', como eu ainda sonho... e sonharei até conseguir. Como um Saramago, (de saias) que tanto escreveu e lutou 'pelo seu lugar ao sol' e o seu dia de NOBEL chegou.

"Nunca desista dos seus sonhos" - Augusto Cury 

              Até quando cada um dos escritores incógnitos e os aspirantes da nobre arte da escrita, terão que lutar para serem lidos... ouvidos e... acreditados? Como eu costumo dizer de mim para comigo mesma:

Insista... insista... resista... mas nunca desista!

                    Depois de participar dum Sarau de poesia para os 'nobres visitantes', regresso a casa com mais bagagem para alguns contos de casos verídicos e emocionantes.

                        Tento começar a escrever algo no computador, mas o sono me aborda e vou me deitar, sonhando com este dia tão comum e tão deliciosamente raro.

                         Adormeço... 

             Adormece a caneta em cima duma folha ainda em branco.
             A inspiração adormecida pediu um tempo para pensar.
             A vida parou por alguns segundos e o movimento do pensamento está imobilizado, alheio ao tempo que passa...

             Há um retrato antigo esfumado.
             Um sopro de vento acorrentado.
             Uma lágrima parada no canto do olho.
             Um sorriso que despenca dos cantos da boca.
             Uma imagem parada num porta-retratos.
             O pensamento que se esquiva às dores da alma.
             E nem a terra macia se atreve a deixar as sementes brotar.

            Os dias estão estáticos de inutilidades, ausências de desejos, sonhos, recordações...

            Nada se vislumbra ao redor...

           Apenas o Tic-Tac do relógio nos adverte que o tempo não pára... nem volta para trás!...




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Anna D'Castro 
(in "Memórias dum Pensador")
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

BUSCA INCESSANTE




BUSCA INCESSANTE

Busco esquecer um passado macabro, onde me deixei com os sofrimentos os enganos e os desamores...
O sofrimento me torna ansiosa... impulsiva, compulsiva e sôfrega de justiça.
Hoje busco me encontrar por entre labirintos fechados... sombrios e vazios do meu  descontentamento... onde meu corpo reclama a falta das caricias que não teve... Aqueles braços com abraços que esperou e que não vieram.
Dou um mergulho dentro de mim... vasto lago espelhado das minhas ilusões fugidias... buscando encontrar um outro eu... um ser menos sedento de humanos desejos... menos exigente de humanos anseios.
Olho no espelho da Vida... um espelho convexo, mas onde não encontro o meu nexo...
Dou um mergulho no rio das minhas inquietações... onde afoguei minhas desilusões, querendo salvar algumas emoções sem derramar lágrimas de sangue.
Me lavo no vasto lago dos meus desejos vãos... querendo contornar meandros sinuosos para não cair em abismos pantanosos, aonde sempre vou... E nessa busca incessante com ânsias e mágoas... ausências e saudades... vou perambulando no silêncio das horas caladas... dum destino sem luz... nas madrugadas do meu tormento... dos sonhos macabros.. dos pesadelos viscosos... das minhas insônias insalubres... das minhas lágrimas frustradas... gotas de sal cristalizadas de sangue e suor tentando achar os sonhos de alvorada que caminham por uma estrada sem fim.
Nesta busca incessante procuro me achar em alguma esquina silenciosa para alcançar o meu norte... o meu porto seguro.
Não sei para onde é o caminho... aonde me levam meus passos errantes, perdidos numa multidão de sonhos e recordações... por vezes já nem sei quem sou, tento-me encontrar... pergunto-me para onde vou... e a pedra que é meu corpo continua na busca incessante por um sopro de ilusão... uma quimera perdida... uma aura de compaixão luminosa... um gesto de esperança perdido no vazio dum breve e simples aceno.



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Anna D’Castro

in "Memórias dum Pensador

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

= É TUDO VERDADE – JOSÉ E PILAR =

 
PURA EMOÇÃO

 Ao fim destes anos todos, acabei de ver o filme-documentário sobre a vida do Prêmio Nobel da Literatura portuguesa José Saramago e sua mulher a jornalista espanhola – Pilar Del Rio, feito pelo português Miguel Mendes e transmitido agora em 2013, pela TV Brasileira no Canal Brasil.

Chorei muito com a história da emocionante vida dum homem de origem humilde que se tornou um dos homens mais gabaritados e admirados no Mundo e da história da Literatura portuguesa.  Mas se ele não tivesse ganho o Prêmio Nobel não lhe dariam a merecida importância, no seu país de origem – Portugal – que lhe foi sempre adverso.

Porque ele era comunista, porque ele era ateu, porque ele não tinha ‘papas na língua’, porque ele dizia na cara aquilo que sentia, não era falso nem hipócrita e para muitos políticos ele era ‘persona non grata’. Teve a sorte de encontrar uma mulher de fibra que o defendia, com ele viveu vinte e tantos anos e dele cuidou tão maravilhosamente até ao fim dos seus dias – Pilar Del Rio.

Na tranquilidade de Lanzarote, uma ilha espanhola, no meio do Atlântico, ele teve a merecida paz de espírito que merecia e que não conseguia em Lisboa, que ele tanto amava.

 É tão duro termos que abandonar as terras que amamos por falta de compreensão de familiares... de amigos... ou pela sociedade elitista e hipócrita e pela política podre que impera nessa mesma sociedade...

É um filme que está passando em 2013 no Canal Brasil, não tem acesso a todos, apenas a quem tem TV paga e deveria ser visto por todo o mundo, num canal livre, como Globo, SBT, TV Record ou Band.
Para que uma grande maioria pudesse ver quanta discriminação continua a haver neste mundo, não só sobre os pobres... negros... homossexuais.
Alguns ricos, bem sucedidos nas carreiras, também sofrem preconceito... no caso de Saramago seria porque não era hipócrita, nem mau caráter e dizia as verdades na cara dos que não gostavam de as ouvir.

O primeiro livro que li de Saramago e que conservo até hoje na minha biblioteca, foi "Jangada de Pedra", há muitos anos e fiquei muito tocada pelo desenrolar da sua escrita. 

 Confesso que chorei bastante ao recordar a história de Saramago, pois o filme retrata uma realidade que só quem está fora do seu país e passa por certas situações poderá entender.

 Parabéns para Miguel Mendes e todos os que conceberam e realizaram este filme.  


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Anna D'Castro
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

MULHERES EM DESTAQUE NA LITERATURA - ELIZABETH BISHOP - A CADELA ROSADA - PINK DOG


Elizabeth Bishop no Brasil na sua casa de Ouro Preto, com o gato de estimação


- A poeta americana Elizabeth Bishop (8/2/1911 a 6/10/1979) estava em sua casa em Ouro Preto, em 1970, quando recebeu, por telefone, a notícia de que tinha levado o National Book Award, um dos principais prêmios literários dos EUA...

Enquanto vivia no Brasil, em 1956 recebeu o prêmio Pulitzer pelo livro «North & South — A Cold Spring».

Em 1976, foi a primeira mulher a receber o International Neustadt Prize for Literature (prêmio internacional Neustadt de Literatura) e continua sendo o único americano a recebê-lo...

Bishop, que a vida toda teria dificuldades para sustentar sua carreira, dependia bastante de doações, empréstimos, prêmios e outros incentivos universitários.
Em 1951, ao receber 2,500 dólares dos Estados unidos do Bryn Mawr College (importância então considerável) pode decidir-se a navegar ao redor da América do Sul.
Chegou a Santos/SP em Novembro/51, esperando ficar duas semanas, para desfrutar da paisagem numa curta pausa das suas semanas na sua longa viagem, mas a sua estada se estendeu por mais de vinte anos.

O Brasil marcou sua vida como temática de numerosos poemas, contos e cartas, e, como afirma a obra «Brasiliana da Biblioteca Nacional», de 2001, em sua página 107, «como vivência afetiva, pautada sobretudo pela longa relação amorosa com a paisagista Lota de Macedo Soares.»

Tal amizade lhe daria estabilidade e amor e estabeleceu residência no Rio de Janeiro, depois nos arredores, em Petrópolis e mais tarde em Ouro Preto.

Chegou no último governo Vargas, documentou o suicídio do presidente, viu a ascensão de JK e a queda de Jango Goulart.

Endossava as opiniões de sua namorada Lota, paisagista e amiga de Carlos Lacerda, partidária de posições udenistas.
Simpatisante pelo Partido Democrata nos Estados Unidos, critica o sistema de segregação racial norte-americano, mas assumiu no Brasil uma posição antiesquerdista.

A verdade é que a política jamais foi tema de interesse central para ela, não podendo ter uma maior compreensão teórica do assunto. Sua percepção das contradições brasileiras é, no entanto, sutil e perspicaz em poemas sobre a paisagem de Santarém, por exemplo, na evocação das chuvas tropicais, na sátira social explícita (poema Pink Dog, por exemplo) no retrato dos pobres urbanos.

*

Uma cadela no Carnaval - Rio de Janeiro

Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas. Nua,
passo apressado, você cruza a rua.

Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pêlo, pele tão avermelhada...
Quem a vê até troca de calçada.

Têm medo da raiva. Mas isso não
é hidrofobia — é sarna. O olhar é são
e esperto. E os seus filhotes, onde estão?

(Tetas cheias de leite.) Em que favela
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendigos num canal.

E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.

Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?

A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando bóias salva-vidas.

Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério, o jeito

mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia

pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a quarta-feira, é Carnaval!
Dance um samba! Abaixo o baixo-astral!

Dizem que o Carnaval está acabando,
culpa do rádio, dos americanos...
Dizem a mesma bobagem todo ano.

O Carnaval está cada vez melhor!
Agora, um cão pelado é mesmo um horror...
Vamos, se fantasie! A-lá-lá-ô...ô...ô...ô!

PINK DOG

By@
Elizabeth Bishop
Rio de Janeiro

*
Elizabeth Bishop vendeu a casa de Ouro Preto após o suicídio de Lota, no início da década de 1970 e retornou defitinivamente aos Estados Unidos.

Gastava meses, por vezes anos, escrevendo um poema apenas, trabalhando para obter um sentido de espontaneidade. Apaixonada pela exatidão, recriou os mundos do Canadá, América, Europa e Brasil.

Não admitia ter pena de si mesma, mas seus poemas mal escondem todas as dificuldades como mulher, como lésbica, como órfã, como viajante sem raízes ou asmática frequentemente hospitalizada, mulher que sofria de depressão e por vezes alcoolismo.

Em 6 de outubro de 1979, Elizabeth Bishop morreu de um aneurisma cerebral, em seu apartamento na Lewis Wharf, Boston. Ela está enterrada no Cemitério de Esperança em Worcester, Massachusetts.

Elizabeth Bishop foi considerada um das mais importantes poetisas do século XX a escrever na língua inglesa.

***

Fontes:
wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Bishop

Poema: PINK DOG

http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet039.htm
***

Organização dos temas biográficos
Anna D'Castro

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

UM POEMA PARA A SEXTA-FEIRA - POR 'WISLAWA SZYMBORSKA'


"OPINIÃO SOBRE A PORNOGRAFIA"


Não há devassidão maior que o pensamento.
Essa diabrura prolifera como erva daninha
num canteiro demarcado para margaridas.
Para aqueles que pensam, nada é sagrado.

O topete de chamar as coisas pelos nomes,
a dissolução da análise, a impudicícia da síntese,
a perseguião selvagem e debochada dos fatos nus,
o tatear indecente de temas delicados,
a desova das idéias – é disso que eles gostam.

À luz do dia ou na escuridão da noite
se juntam aos pares, triangulos e círculos.
Pouco importa ali o sexo e a idade dos parceiros...
Preferem o sabor de outros frutos
da árvore proibida do conhecimento
do que os traseiros rosados das revistas ilustradas,
toda essa pornografia na verdade simplória...

É chocante em que posições,
com que escandalosa simplicidade
um intelecto emprenha o outro!
Tais posições nem o Kamasutra conhece...

By@
Wislawa Szymborska
Prêmio Nobel da Literatura de 1996


*UM APELO* - O MEU APELO:

*Agora depois da morte de Wislawa Szymborska, espero que além de Regina Przybycien, que foi a responsável pela tradução de cerca de 44 poemas da poetisa Polaca, e uma antologia que abarca 8 dos seus cerca de 20 livros, publicados em 2011, pela Cia das Letras, mais tradutores Brasileiros possam traduzir a obra copleta desta poetisa sensacionalmente emocionante, duma sabedoria e humor-critico muito acirrado e leve ao mesmo tempo, que cabe muito bem no discernimento e apreço dos leitores brasileiros.
Não é à toa que esta 'velhinha encantadoramente deliciosa' foi a ganhadora dum "Prêmio Nobel de Literatura"!

Wislawa Szymborska é muito mais do que um nome exótico e quase impronunciável, mas num país de mistura de raças e povos, com tantos nomes exóticos depressa nos introsaremos ao pronuncionar 'corretamente do nosso jeito' o nome de "Vissuava Shemborska" e ser mais um Clube de Fãs duma poetisa que tem muitos fãs em todo o mundo leitor, onde chegou a sua interessante forma de poetar... e eu me incluo nesse Clube.

By@
Anna D'Castro

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Prémio Nobel da Literatura em 1996, A Poetisa Wislawa Szymborska, considerada "O Mozart da Poesia"


Morreu hoje quarta-feira, 1/2/2012, aos 88 anos, em consequência de cancer de pulmão, na casa onde vivia em Cracóvia, a Poetisa polaca, Wislawa Szymborska.
A notícia foi dada pelo assistente da poetisa, Michal Rusinek, a uma agência de imprensa polonesa.
Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1996.
O Comité do Nobel considerou-a o "Mozart da poesia".
A autora foi ainda galardoada com o Prémio Goethe, em 1991, e com o Herder, em 1995.

A poetisa e ensaísta, nascida em 2 de julho de 1923 em Bnin - Kornik, morreu em sua casa de Cracóvia, tranquila, enquanto dormia, rodeada por alguns de seus familiares e amigos mais próximos, entre eles a jornalista Katarzyna Kolenda, que posteriormente lembrou numa entrevista a personalidade de Wislawa. "Sempre que lhe perguntavam por que escrevia poesia ela respondia com um simples 'isso eu não sei'.
Tratava seu trabalho como algo muito pessoal e com muita modéstia", comentou Katarzyna.

Embora Wislawa, nascida em Kornik, no oeste da Polônia, em julho de 1923, fosse a poetisa mais conhecida da Polônia, teve que esperar até aos 73 anos, para a concessão do Nobel em 1996 e para que sua obra chegasse ao resto do mundo.

Infelizmente, a produção de Szymborska, autora de cerca de 20 coleções de poemas, além de tradutora de poesia clássica francesa, é pouco conhecida e publicada no Brasil.
Alguns dos poemas (44) da autora polonesa, foram traduzidos pela primeira vez por Regina Przybycien, doutora em literatura comparada e especialista em literatura eslava.
O volume "Poemas" - uma Antologia de poemas reunidos - foi publicado no ano passado - 2011 - pela Companhia das Letras.

A poetisa destacou-se por sua poesia ser cheia de humor e a simplicidade com que abordava as questões mais profundas, como a morte e o amor e pela habilidade em usar trocadilhos, presente desde o seu primeiro poema publicado em um jornal local em 1945.

O Nobel representou uma revolução em sua vida e na privacidade que sempre tentou manter, como a própria Wislawa reconheceria, já que causou "uma grande confusão, mas também grande alegria, honra, novas amizades e mudanças".

*Um Poema*

ÁLBUM

Na minha família ninguém morreu de amor.
Se alguma coisa houve não passou de historieta.
Tísicas de Romeu? Difterias de Julieta?
Alguns envelheceram até ganhar bolor.

Ninguém a definhar por falta de resposta
a uma carta molhada e dolorosa.
Apareceu sempre por fim algum vizinho
com lunetas e uma rosa.

Ninguém a desfalecer no armário de asfixia
de algum marido voltando sem contar.
E os mantos e os folhos e as fitas de apertar
a nenhuma impediram de ficar na fotografia.

E nunca no espírito satânico de Bosch!
E nunca pelos quintais de arma em punho!
De bala na cabeça teve a morte outro cunho
e em macas de campanha alguém os trouxe.

De olheiras fundas como após a grande folia,
até esta aqui de carrapito extático,
se fez ao largo em grande hemorragia
mas não por ti, ó bailarino, e com viático.

Talvez antes do daguerreótipo, alguém,
mas nos deste álbum, ninguém, que eu verifique.
Tristezas dissiparam-se, os dias sucederam-se,
e eles, reconfortados, sumiram-se de gripe.

By@
Wislawa Szymborska.

*******

Mais uma "Pérola da Poesia" que 'partiu', mas todos aqueles que lutam pelo reconhecimento do seu trabalho poético, terão a recompensa a seu tempo.

É preciso acreditar sempre nos seus sonhos e no seu trabalho e batalhar para conseguir o tão almejado 'Lugar ao Sol'!

By@
Anna D'Castro

sábado, 17 de dezembro de 2011

CESÁRIA ÉVORA - "La diva aux pied nus" (a diva dos pés descalços)


CESÁRIA ÉVORA - que foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular cabo-verdiana.
Apesar de ser bem sucedida em diversos outros géneros musicais, Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a morna, por isso também foi apelidada de "Rainha da Morna"!

Morreu hoje, 17 de Dezembro de 2011 aos 70 anos de idade, na cidade de Mindelo - Cabo Verde.

*BIOGRAFIA DE CESÉRIA ÉVORA*

Cesária Évora (27/ago/1941 a 17/dec/2011) na cidade de Mindelo, capital de Cabo Verde. Tinha mais quatro irmãos.
O seu pai, Justino da Cruz, tocava cavaquinho, violão e violino.
Quando jovem, Cesária, foi viver com sua avó, que havia sido educada por freiras e assim, acabou passando por uma experiência que a ensinou a desprezar a moralidade excessivamente severa.

Entre os seus amigos estava B.Leza, o compositor favorito dos cabo-verdianos, que faleceu quando ela tinha apenas sete anos de idade. Desde cedo, Cise, como era conhecida pelos amigos, começou a cantar e a fazer atuações aos domingos na praça principal da sua cidade, acompanhada pelo seu irmão Lela, no saxofone.
Mas a sua vida está intrinsecamente ligada ao bairro do Lombo, nas imediações do quartel do exército português, onde cantou com compositores como Gregório Gonçalves.
Aos 16 anos, Cesária começou a cantar em bares e hotéis e, com a ajuda de alguns músicos locais, ganhou maior notoriedade em Cabo Verde, sendo proclamada a "Rainha da Morna" pelos seus fãs.

Aos vinte anos foi convidada a trabalhar como cantora para o Congelo - companhia de pesca criada pelo capital local e pelo português - recebendo conforme as atuações que fazia.

Em 1975, ano em que Cabo Verde adquiriu a independência, Cesária, frustrada por questões pessoais e financeiras, aliados à dificuldade económica e política do jovem país, deixou de cantar para sustentar a sua família. Durante este período, que se prolongou por dez anos, Cesária teve de lutar contra o alcoolismo.

Igualmente, Cesária chamou a esse período de tempo, os seus Dark Years.

Encorajada por Bana (cantor e empresário cabo-verdiano radicado em Portugal), Cesária Évora voltou a cantar, atuando em Portugal.

Em Cabo Verde um naturalizado francês, chamado José da Silva persuadiu-a a ir para Paris e lá acabou por gravar um novo álbum em 1988 "La diva aux pied nus" (a diva dos pés descalços) - que é como se apresenta nos palcos.
Este álbum foi aclamado pela crítica, levando-a a iniciar a gravação do álbum "Miss Perfumado" em 1992. Desde então fixou residência na capital francesa.

Cesária tornou-se uma estrela internacional aos 47 anos de idade.

Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a, em 2009, com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da Cultura francesa Christine Albanel.

Em Setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a sua editora, Lusafrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na sua longa carreira.

Veio a falecer no dia 17 de Dezembro de 2011, na cidade do Mindelo, com 70 anos, por "insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada".

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Fonte desta Biografia de Cesária Évora - WIKIPÉDIA
Anna


A minha singela homenagem a CESÁRIA ÉVORA, que foi a mais importante cantante de 'MORNAS E COLADERAS' a música de raíz Caboverdiana, do século XX, estendendo a sua performance até à primeira década do séc. XXI.

Partiu para a sua viagem eterna, hoje, dia 17 de Dezembro de 2011.

Depois dum inicio de vida artística muito difícil. Muito lutou e conseguiu se afirmar com a ajuda de alguns amigos já radicados no meio artístico, com o reconhecimento do público, mas com pouca divulgação e pouco reconhecimento do país que tinha a obrigação de a adular e prestigiar - Portugal!

A França e os franceses a elegeram a 'Rainha descalça da voz rouca'... e a prestigiaram até ao último momento, prestando inúmeras homenagens e a abençoando com prêmios de destaques, muito merecidos.

Vai em paz 'Musa Negra de voz rouca e sensual'!

Anna D'Castro

sábado, 10 de dezembro de 2011

BIOGRAFIA DE CLARICE LISPECTOR


Clarice Lispector, de seu nome de nascimento Haia Pinkhasovna Lispector - Nasceu na cidade de Tchetchelnik - Ucrânia, a 10 de dezembro de 1920 — Faleceu no Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977, aos 57anos menos 1 dia.
Foi uma extraordinária escritora e jornalista, nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.

Se comemora hoje 10/12/2011 - 91 anos da data do seu nascimento
passou ontem:dia 09/12/2011 - 34 anos do aniversário da sua morte

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De origem judaica, Clarice foi a terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector.

Nasceu na cidade de Tchetchelnik enquanto seus pais percorriam várias aldeias da Ucrânia por conta da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921.
Chegou ao Brasil quando tinha dois meses de idade e sempre que questionada de sua nacionalidade, Clarice afirmava não ter nenhuma ligação com a Ucrânia:
- "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" - e que a sua verdadeira pátria era o Brasil.

A família chegou a Maceió - Alagoas, em março de 1922, sendo recebida por seus tios maternos: Zaina, irmã de Mania e seu marido e primo José Rabin.

Por iniciativa de seu pai todos mudaram de nome, exceto Tânia, sua irmã.
O pai Pinkouss, passou a se chamar Pedro;
a mãe Mania - Marieta;
sua irmã Leia - Elisa;
e por fim, ela Haia - Clarice.

Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Com dificuldades de relacionamento com Rabin e sua família, Pedro decide mudar-se para Recife, então a cidade mais importante do Nordeste.

Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância no bairro de Boa Vista.
Estudou no Ginásio Pernambucano de 1932 a 1934. Falava vários idiomas, entre eles o francês e o inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.

Sua mãe morreu em 21 de setembro de 1930 (Clarice tinha 9 anos e meio), após vários anos sofrendo com as consequências da Sífilis, supostamente contraída por conta de um estupro sofrido durante a Guerra Civil Russa, enquanto a família ainda estava na Ucrânia.
Clarice sofreu muito com a morte da mãe e muitos dos seus textos refletem a culpa que a autora sentia e nas figuras de milagres que salvariam sua mãe.

Quando tinha 15 anos o pai decidiu mudar-se para o Rio de Janeiro.
A irmã Elisa conseguiu um emprego no ministério, por intervenção do então ministro Agamemnon Magalhães, enquanto seu pai teve dificuldades em achar uma oportunidade na capital.
Clarice estudou em uma escola primária na Tijuca, até ir para o curso preparatório e para a Faculdade de Direito.
Foi aceite para a Escola de Direito na então Universidade do Brasil em 1939. Viu-se frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso e descobriu um escape: - a literatura.
Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto "Triunfo"na Revista Pan.
Três depois desta publicação e após uma cirurgia simples, para a retirada da vesícula biliar, seu pai Pedro, morre de complicações do procedimento.
As filhas ficam arrasadas com as circunstâncias da morte tão inesperada e como consequência, Clarice se afasta da religião judaica.

No mesmo ano, Clarice chama a atenção (provavelmente com o conto "Eu e Jimmy") de Lourival Fontes, então chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda (órgão responsável pela censura no Estado Novo de Getúlio Vargas)e é alocada para trabalhar na Agência Nacional, responsável por distribuir notícias aos jornais e emissoras de rádio da época. Lá conheceu o escritor Lúcio Cardoso, por quem se apaixonou (não correspondido, já que Lúcio era homossexual) e de quem se tornou amiga íntima.

Em 1943, no mesmo ano de sua formatura, casou-se com o colega de turma Maury Gurgel Valente futuro pai de seus dois filhos.
Maury foi aprovado no concurso de admissão na carreira diplomática e passou a fazer parte do quadro do Ministério das Relações Exteriores.

Na sua primeira viagem como esposa de diplomata, Clarice morou na Itália onde serviu durante a Segunda Guerra Mundial, como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira.
Também morou em países como Inglaterra, Estados Unidos e Suíça, países para onde Maury foi escalado. Apesar disso, sempre falou em suas cartas a amigos e irmãs como sentia falta do Brasil.

Em 10 de agosto de 1948, nasce o primeiro filho - Pedro - em Berna na Suiça.

Quando criança Pedro se destacava por sua facilidade de aprendizado, porém na adolescência sua falta de atenção e agitação foram diagnosticados como esquizofrenia. Clarice se sentia de certa forma culpada pela doença do filho, e teve dificuldades para lidar com a situação.

Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington D.C., nos Estados Unidos.

Em 1959 Clarice, se separou do marido, que ficou na Europa e voltou permanentemente ao Rio de Janeiro com os dois filhos, morando no Leme.

No mesmo ano assina a coluna "Correio feminino - Feira de Utilidades", no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer.
No ano seguinte, assume a coluna "Só para mulheres", do Diário da Noite, como ghost-writer da atriz Ilka Soares.

Provoca um incêndio ao dormir com um cigarro acesso em 14 de setembro de 1966, seu quarto fica destruído e a escritora é hospitalizada entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é quase amputada devido aos ferimentos, e depois de passado o risco de morte, ainda fica hospitalizada por dois meses.

Em 1975 foi convidada a participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, em Cali na Colômbia. Fez uma pequena apresentação na conferência e falou do seu conto "O ovo e a Galinha", que depois de traduzido para o espanhol fez sucesso entre os participantes.
Ao voltar ao Brasil, a viagem de Clarice ganhou ares mitológicos, com jornalistas descrevendo (falsas) aparições da autora vestida de preto e coberta de amuletos. Porém, a imagem se formou, dando a Clarice o título de "a grande bruxa da literatura brasileira".
Seu próprio amigo Otto Lara Resende disse sobre a obra de Lispector: "não se trata de literatura, mas de bruxaria."

Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação de um dos seus mais famosos romances: "A Hora da Estrela", com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela.

CLARICE LISPECTOR faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário.
Foi enterrada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro. Até a manhã de seu falecimento, mesmo sob sedativos, Clarice ainda ditava frases para a amiga Olga Borelli.

Durante toda sua vida Clarice teve diversos amigos de destaque como Fernando Sabino, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, San Tiago Dantas e Samuel Wainer, entre diversos outros literários e personalidades.


*CLARICE LISPECTOR escreveu:

ROMANCES:

- Perto do Coração Selvagem (1944)
- O Lustre (1946)
- A Cidade Sitiada (1949)
- A Maçã no Escuro (1961)
- A Paixão segundo G.H. (1964)
- Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (1969)
- Água Viva (1973)
- A Hora da Estrela (1977)
- Um Sopro de Vida (pulsações) (1978)


CONTOS:

- Alguns Contos (1952)
- Laços de Família (1960)
- A Legião Estrangeira (1964)
- Felicidade Clandestina (1971)
- A Imitação da Rosa (1973)
- A Via Crucis do Corpo (1974)
- Onde Estivestes de Noite (1974)


CRÔNICAS:

- Visão do Esplendor (1975)
- Para não Esquecer (1978)


ENTREVISTAS:

- De Corpo Inteiro (1975)


LITERATURA INFANTIL:

- O Mistério do Coelho Pensante (1967)
- A Mulher que Matou os Peixes (1968)
- A Vida Íntima de Laura (1974)
- Quase de Verdade (1978)



Várias Frases, POEMAS e Pensamentos de CLARICE LISPECTOR

OBRAS PÓSTUMAS:

Coletâneas de contos, crônicas ou entrevistas organizadas e publicadas postumamente:

A Bela e a Fera (1979) – reunião de contos inéditos escritos em épocas diferentes
A Descoberta do Mundo (1984) – seleção de crônicas publicadas em jornal entre agosto de 1967 e dezembro de 1973
Como Nasceram as Estrelas (1987) – contos infantis
Cartas Perto do Coração (2001) – cartas trocadas com Fernando Sabino
Correspondências (2002)
Aprendendo a Viver (2004) – seleção de crônicas publicadas em jornal entre agosto de 1967 e dezembro de 1973
Outros Escritos (2005) – reunião de textos de natureza diversa
Correio Feminino (2006) – reunião de textos publicados em suplementos femininos de jornais, nas décadas de 1950 e 1960
Entrevistas (2007) – seleção de entrevistas realizadas nas décadas de 1960 e 1970
Minhas Queridas (2007) – correspondências
Só para Mulheres (2008) – reunião de textos publicados em suplementos femininos de jornais, nas décadas de 1950 e 1960

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Nota: Dados Biográficos retirados da Wikipédia

...

Um trecho de "ÁGUA VIVA"

Que música belíssima ouço no profundo de mim. É feita de traços geométricos se entrecruzando no ar. É música de câmara. Música de câmara é sem melodia. É modo de expressar o silêncio.

...

POEMA "O SONHO"

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector


*Deixo aqui a minha admiração por tão espetacular escritora, que viveu e morreu em função da literatura, fazendo bem qualquer modalidade que se encarregava de escrever*

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Anna D'Castro

CÁSSIA ELLER - 49º. ANIVERSÁRIO - UMA VIDA QUE NOS FOI ROUBADA!


Pergunta: - Você diz que sempre foi muito gostoso cantar. Qual é o barato, o que te move?

C.E. - 'Não sei, não penso muito no ato de cantar. Imagino sempre a música no todo, como uma energia, quando estou tocando ou cantando ou ouvindo.
Uma coisa que acho muito legal é saber ouvir – gosto muito de ouvir música, acima de tudo, de qualquer coisa.
Vou dormir e fico pensando em música, sonho com música, sabe?
A música surge pronta, com arranjo e tudo, uma música que eu nunca ouvi, eu sonho com isso. Aí acordo e tento reproduzir, mas não consigo, lógico.
Só penso nisso o tempo inteiro. O tempo de fazer as coisas, os cálculos que faço, tudo acontece em tempo de compasso musical.
O tempo que se tem para atravessar a rua, até aquele carro chegar aqui, fico pensando em música. Não é trilha, são cálculos matemáticos, mas completamente ritmicos.'


Depois de dizer isso, Cássia Eller morreu de rir. Este trecho foi tirado do livro Vozes do Brasil (2002, ed. DBA).
***

"Não poderia ser em outra data para a querida Cássia Eller ter nascido: '10/12' que também é o dia do Palhaço.
Por essa razão se explica todo o seu lado tão moleca.
Em dezembro de 2011 também lamentamos sua partida tão repentina."

'Wecsley Cunha - CANINGA'

***
Se estivesse viva, a cantora Cássia Eller completaria hoje, 10/12/2011, sábado, 49 anos.
Cássia fez a trajetória dos gênios: intensa e curta, marcando seu nome no panteão da MPB.



Deixamos um vídeo de um dos 'covers' que ela fazia, Smells like teen spirits, do Nirvana em sua única apresentação no terceiro Rock´n Rio em 2001, pouco tempo depois ela dava adeus.

'Papo Cult, o blog da Joanice Sampaio'
"Joanice Sampaio"
'Fortaleza, Ceará, Brazil'
***

Alguns trechos de homenagens de blogueiros e amigos de Cássia Eller por altura do seu último aniversário em 10/12/2011.
Cássia teria completado a bela idade de 49 anos, se 'indevidamente' não tivesse partido há 10 anos (29/12/2001), com apenas 39 anos... tanto teria para nos mostrar e tantos sucessos e homenagens para usufruir e para nos presentear...

CÁSSIA ELLER, teve a curta carreira dos 'génios' que efemeramente passam por este mundo dos Homens, com as bençãos e os desígnios de Deus!


"AS ROSAS NÃO FALAM, MAS AS MARGARIDAS,SIM!"

Saravá CÁSSIA! Minha singela e humilde homenagem a você, uma das minhas 'musas musicais'! Ela era 'Apenas - Só Uma Garotinha'...


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Anna D'Castro

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

89.º Aniversário de José Saramago


"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais.

JOSÉ SARAMAGO"



“Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…)”

— Saramago, A Jangada de Pedra, 1986

*****

CONVITE PARA A CELEBRAÇÃO DO 89º ANIVERSÁRIO DE SARAMAGO E LANÇAMENTO DO LIVRO "CLARABÓIA"
Obra póstuma de J.Saramago


A Editorial Caminho, as Produções Fictícias, o São Luiz Teatro Municipal e a Fundação José Saramago convidam-na(o) para a
Celebração do Aniversário de José Saramago
e o lançamento de Claraboia
no dia 16 de Novembro de 2011, pelas 18 Horas,

no Jardim de Inverno do São Luiz com a participação

de Baptista-Bastos, Lídia Jorge, José Carlos Vasconcelos, Inês Pedrosa, João Tordo, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto,

Valter Hugo Mãe, Pilar del Rio, Miguel Gonçalves Mendes e Zeferino Coelho

e as actuações de Pedro Gonçalves, Noiserv, Camané e Filipe Raposo

numa sessão conduzida por Nuno Artur Silva e Anabela Mota Ribeiro
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"José e Pilar. Conversas inéditas" chega hoje às livrarias


José e Pilar. Conversas inéditas (edição Quetzal) traz-nos um conjunto de entrevistas a José Saramago e Pilar del Río, conduzidas pelo realizador Miguel Gonçalves Mendes ao longo dos quatro anos de rodagem do documentário com o mesmo nome.

O prefácio é de Valter Hugo Mãe.
publicado por Fundação Saramago


16 de Novembro: Entrega da chave da Casa dos Bicos, à Presidente da Fundação 'José Saramago' - Pilar Del Rio, viúva do escritor
Celebração do Aniversário de José Saramago e lançamento de "Claraboia"


'Assim foi o dia 16 de Novembro,
com amigos celebrando José Saramago.
A Fundação José Saramago agradece a todos os que colaboraram
e a todos os que estiveram presentes.'

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Um resumo do que foi mais um aniversário de Saramago, (89º.) sem a sua presença 'física', mas com toda a sua presença marcante, manifestada pelos amigos e por Pilar Del Rio que viverá perpetuando a 'Vida e Obra' de José Saramago.

As minhas singelas homenagens a um grande escritor, que deixou a marca forte da sua personalidade honrando com o Prêmio Nobel e toda a sua Obra, a língua portuguesa e o nome do seu País - Portugal - que nem sempre lhe deu o valor merecido.

By@
Anna D'Castro

Almada e Lisboa... as duas belas cidades beijadas pelo Tejo

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José Saramago - O Nóbel da Literatura Portuguesa

"PALAVRAS PEQUENAS... PALAVRAS APENAS..."

Ando por aí querendo te encontrar... Em cada esquina paro em cada olhar... Deixo a tristeza... Trago a esperança em seu lugar... Que o nosso amor para sempre VIVA... Minha dádiva quero poder jurar... Que essa paixão jamais será... Palavras Apenas... Palavras Pequenas... Palavras de Momento... Palavras ao Vento!... "Cassia Eller"

AGRADEÇO A SUA VISITA À *SEMENTEIRA DE PALAVRAS*...


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...VOLTE SEMPRE... DE CORAÇÃO!